A Receita Federal doa cabelo apreendido em operações no Aeroporto do Galeão para uma causa que vai muito além da fiscalização aduaneira. Nesta semana, 350 quilos de cabelo humano, recolhidos por irregularidades na importação, foram destinados à produção de perucas para pacientes em tratamento contra o câncer.
O material, avaliado em R$ 400 mil, tem origem principalmente em países como Índia e China, e foi apreendido por descumprimento de regras de importação, como omissão de valor e quantidades acima do permitido. Após regularização legal, os cabelos foram entregues a uma ONG em São Paulo especializada na confecção de perucas para pacientes oncológicos.
“Quando o passageiro ou importador ultrapassa o limite permitido, ou confronta alguma regra da importação, não declara valor correto, essas regras quando são infringidas dá o direito à Receita de apreender”, explicou a auditora fiscal Patrícia Miranda.
A iniciativa representa uma mudança importante na política de destinação de mercadorias apreendidas, agora com foco social e humanitário. As perucas serão repassadas ao Instituto Nacional de Câncer (INCA), onde mais de 100 pacientes são beneficiados por mês com o projeto.
A entrega simbólica de algumas perucas marcou também um momento especial para a paciente Natália Espíndola, que completou 27 anos no mesmo dia. Ela está em tratamento contra um câncer de mama desde janeiro deste ano.
“Mexeu muito com a minha autoestima, nunca me imaginei ficar careca. Não tava preparada pra isso”, relatou Natália, emocionada ao receber sua peruca.
A ação impacta diretamente a vida de quem passa pelo tratamento oncológico, ajudando na recuperação emocional e até na adesão ao tratamento. “Devolver a autoestima influencia diretamente na qualidade de vida e adesão ao tratamento”, declarou Fernanda Vieira, gerente do INCA Voluntário.
Além de representar uma resposta criativa à destinação de materiais apreendidos, o gesto simboliza empatia e solidariedade. A transformação de um item irregular em esperança e autoestima para tantas mulheres é um exemplo de como políticas públicas podem se conectar com causas sociais.
O projeto seguirá em parceria com instituições especializadas, com a expectativa de ampliar o número de atendimentos e transformar o destino de mercadorias antes descartadas ou leiloadas. A Receita Federal planeja continuar com esse tipo de destinação, fortalecendo o papel social do órgão.














