Os reboques no Rio se tornaram tema de preocupação diante do crescimento das denúncias por estacionamento irregular na cidade. Entre janeiro e setembro, o serviço 1746 da prefeitura recebeu 138.168 queixas, mantendo uma média superior a 500 registros por dia. A tendência é de aumento nos meses mais movimentados do verão e nas semanas que antecedem o Natal, quando o fluxo de pedestres e motoristas se intensifica.
Mesmo com a alta demanda, o município não tem conseguido cumprir a quantidade prevista de guinchos nas ruas. O contrato firmado com a operadora atual determina a operação de 33 veículos, mas uma ata publicada no Diário Oficial informou que apenas “de dois a cinco guinchos” estavam em atividade, número distante do acordado.
Em uma cidade com 3,2 milhões de veículos registrados, a dificuldade em retirar automóveis irregulares também impacta as contas do Fundo Especial de Ordem Pública, criado para equipar a Guarda Municipal. Em reunião interna, o subsecretário de Gestão da Seop, Rodrigo Arnault Schwartz, apontou que “a baixa performance do reboque é um problema para a saúde financeira do Fundo”. Até o fim de outubro, a arrecadação ficou em cerca de R$ 11 milhões, bem abaixo dos R$ 17 milhões esperados. O recolhimento de veículos irregulares é uma das principais fontes de receita.
A Secretaria de Ordem Pública admite falhas, mas afirma que as dificuldades de operação são pontuais. O secretário Marcus Belchior diz que a estrutura atual é suficiente para atender às demandas e que, quando o recolhimento não é possível, multas são aplicadas aos motoristas. O contrato vigente, firmado em agosto de 2024 com a empresa Efatá Comércio e Serviços Ltda, tem validade de dois anos e custo de R$ 19,1 milhões. Desde abril, a terceirizada recebeu seis multas que somam R$ 185 mil por descumprimento de metas. Em agosto, a prefeitura abriu tentativa de licitação para substituição da empresa, mas não houve interessados.
Belchior afirma ainda que o município busca um novo modelo de contratação e espera resolver os impasses até o fim do primeiro trimestre de 2026. A ideia é ampliar a frota prevista para 40 guinchos.
Enquanto isso, os números mostram queda significativa no recolhimento de veículos. Os depósitos do Andaraí e de Guaratiba, responsáveis por receber carros removidos, têm registrado movimento baixo. Em outubro, somente 20 veículos foram listados nos editais da Seop, resultado muito menor que os 183 contabilizados no mesmo período de 2024 e os 147 em outubro de 2023. As taxas para retirada de automóveis vão de R$ 117,50 para motos a R$ 470,03 para ônibus e caminhões, com diárias entre R$ 47,44 e R$ 189,94.
O serviço de reboque tem histórico de controvérsias. Em 2022, a prefeitura rompeu o contrato com a empresa J. S. Salazar após denúncias feitas pelo ex-vereador Gabriel Monteiro, que esteve preso até março deste ano. Na época, o modelo de remuneração era baseado em percentual das taxas cobradas — cerca de 80% do total arrecadado com remoções e diárias. Hoje, a prefeitura paga um valor fixo mensal, independentemente da quantidade de recolhimentos.
Com a alta das reclamações, a queda na arrecadação e a baixa operação dos guinchos, a prefeitura tenta ajustar o serviço antes do verão, quando a pressão sobre a fiscalização costuma aumentar ainda mais.














