Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói gera reação de Janja e embate político

Janja

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói gerou reação de Janja e embate político nas redes sociais e no meio parlamentar após o desfile na Marquês de Sapucaí. A escola levou para a avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que provocou críticas da oposição e questionamentos sobre possíveis reflexos eleitorais.

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, se manifestou logo após o resultado. Pelos stories do Instagram, ela compartilhou imagem do desfile e publicou trecho do samba-enredo: “Lute pra vencer (SIM). Aceite se perder. Se o ideal valer, nunca desista”.

Em outra postagem, Janja divulgou mensagem da própria escola agradecendo à comunidade e acrescentou: “A arte não é para os covardes”.

A reação da oposição foi imediata. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que “Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo”. Já Carlos Bolsonaro declarou que a escola teria “desagradado a maioria” e sugeriu uso da máquina pública. O deputado Nikolas Ferreira disse que o resultado seria reflexo da situação do país, associando o desempenho da escola ao governo federal.

Entre aliados, o tom foi mais moderado. O senador Randolfe Rodrigues preferiu destacar as escolas classificadas para o Desfile das Campeãs, sem comentar diretamente o caso. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, celebrou o Carnaval como expressão cultural e econômica.

Amigo de Lula e coordenador do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho afirmou, em entrevista à Folha de S. Paulo, que não há responsabilidade do presidente pelo resultado. “A estrutura é muito poderosa, disputa com escolas muito tradicionais. É leviano atribuir ao presidente”, disse.

O episódio também acendeu alerta dentro do PT sobre possível desgaste junto ao eleitorado evangélico. Uma das alas do desfile, intitulada “Neoconservadores em conserva”, retratava famílias em latas com referências religiosas, o que gerou críticas.

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifestou preocupação com o uso de símbolos cristãos, enquanto a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro divulgou nota apontando possível intolerância religiosa.

Internamente, integrantes do partido avaliam que as reações podem arrefecer com o tempo, mas admitem que o caso exige cautela. Há a intenção de medir eventuais impactos eleitorais nas próximas semanas, especialmente entre segmentos religiosos.

O que começou como resultado de desfile na Sapucaí acabou se transformando em mais um capítulo da polarização política brasileira — e os próximos desdobramentos podem ultrapassar os limites do Carnaval.

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