Ato na Paulista contra Alexandre de Moraes decepciona em público, mas intensifica debate sobre STF
A manifestação convocada para a Avenida Paulista no último 7 de Setembro, com o objetivo de protestar contra o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu um público significativamente menor do que o esperado, segundo dados divulgados pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.
Apesar da presença de nomes proeminentes da extrema direita, como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, e do esforço de mobilização, o evento foi considerado um “flop” por analistas, com números inferiores aos de anos anteriores e até mesmo a jogos de futebol.
A iniciativa, impulsionada por declarações e ações do ministro do STF Kassio Nunes Marques, tem gerado intensos debates sobre o papel do Judiciário e a polarização política no país, conforme aponta a análise das fontes consultadas.
Público da manifestação na Paulista é inferior a jogos de futebol
Dados do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap indicam que o auge da concentração na Avenida Paulista reuniu cerca de 28.500 pessoas. Este número, com margem de erro de 12%, fica aquém do esperado para um evento com tanta repercussão midiática e política.
Para comparação, o mesmo monitor aponta que manifestações semelhantes em 2025 e 2024 atraíram 42,2 mil e 45,4 mil pessoas, respectivamente. A queda percentual é notável, com a manifestação deste ano sendo 32,46% menor que a do ano passado e 37,22% inferior à de 2024.
O número de participantes foi superado até mesmo por um jogo da Série C do Campeonato Brasileiro, entre Santa Cruz e Botafogo da Paraíba, que registrou mais de 27 mil pessoas na Arena de Pernambuco.
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em destaque, mas sem mobilização massiva
Apesar do público aquém do esperado, o evento contou com a presença de figuras importantes da política brasileira. Estiveram presentes Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes, Silas Malafaia, Nikolas Ferreira e Valdemar Costa Neto.
Tarcísio de Freitas, em seu discurso, defendeu a necessidade de respostas institucionais sobre a conduta de ministros do STF, ressaltando que “ninguém está acima da lei”. Suas falas ecoaram a retórica de que o Judiciário precisa ser mais transparente e responsável.
No entanto, a análise sugere que o esforço conjunto dessas lideranças não se traduziu na mobilização massiva que se esperava, levando a um resultado considerado decepcionante.
Nunes Marques é apontado como impulsionador da “operação eleitoreira”
O ministro Kassio Nunes Marques é citado como o principal articulador por trás do movimento que buscava pressionar o STF. Sua atuação, ao divulgar um relatório que mirava Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, é vista por alguns como uma “operação eleitoreira” em favor de Flávio Bolsonaro.
A estratégia de Marques, ao enviar oficialmente sua petição ao Supremo na véspera do ato, visava gerar maior repercussão midiática e inflamar os ânimos. A fonte sugere que essa tática, embora tenha garantido manchetes, não conseguiu atrair o público esperado para a manifestação.
A análise questiona se, com uma abordagem mais alinhada ao devido processo legal e menos focada em apelo eleitoral, a mobilização teria sido maior.
Críticas ao “sublacerdismo” e à falta de aprendizado com a história
O termo “sublacerdismo” é utilizado para descrever a retórica de certos analistas que, apesar do resultado aquém do esperado na Paulista, insistem em manter uma postura combativa. A comparação é feita com Carlos Lacerda, que teria sofrido as consequências de suas próprias ações.
A crítica central é a aparente incapacidade de aprender com a história, com setores da sociedade e da imprensa repetindo padrões que levam a um ciclo de polarização e instabilidade.
A manifestação na Paulista, embora não tenha atingido seu objetivo de mobilização massiva, serviu para expor as fissuras e os debates intensos que permeiam o cenário político e institucional do Brasil, especialmente em relação ao papel do Supremo Tribunal Federal.














