A rainha de bateria da Portela, Bianca Monteiro, comanda a Escola de Artes Paulo da Portela, projeto que oferece cursos gratuitos de teatro, dança, canto e beleza na Portelinha, em Madureira, para moradores da Zona Norte do Rio.
Escola de artes oferece oficinas gratuitas no coração de Madureira
O projeto social funciona no espaço conhecido como Portelinha, bem perto da Praça Paulo da Portela e do tradicional circuito da Feira das Yabás. A iniciativa foi criada durante a pandemia de covid-19 e atende semanalmente mais de 200 alunos. O público principal é formado por moradores das favelas do entorno, como Serrinha, Cajueiro, Muquiço e Palmeirinha.
Com aulas ministradas de março a novembro, a instituição busca descentralizar o acesso à cultura e capacitar os moradores em diferentes áreas artísticas e profissionais. O ciclo letivo faz uma pausa no fim do ano justamente para que a estrutura se adapte ao ritmo do Carnaval do Rio de Janeiro.
A idealizadora do projeto reforça que o objetivo é acolher pessoas de todas as idades, sem barreiras financeiras ou sociais. A rotina do local é pensada para atender tanto jovens que buscam uma profissão quanto adultos e idosos que não tiveram oportunidades no passado.
Quais cursos gratuitos são oferecidos na Portelinha?
A grade do projeto social conta com aulas de teatro, canto, samba, dança de salão, trança e maquiagem. Além de ensinar artes cênicas e dança, a escola forma profissionais de beleza que podem gerar renda própria imediatamente na favela. Todo o material utilizado durante as oficinas é disponibilizado sem custo para os alunos cadastrados.
Os cursos de interpretação e música já acumulam resultados concretos na carreira dos estudantes. Alunos de teatro conseguiram estrear em peças profissionais, enquanto a turma de canto teve a oportunidade de se apresentar na Cidade do Samba em uma homenagem ao cantor Milton Nascimento, tema do enredo portelense em 2025.
Segundo a organização, a formação é ampla para permitir que o aluno saia com conhecimento técnico em várias áreas expressivas. A meta é criar artistas completos dentro da própria comunidade.
Quem pode se inscrever e qual a idade permitida?
A participação é totalmente gratuita e voltada para pessoas com idade a partir de 5 anos, sem limite máximo. Não há exigência de experiência prévia em nenhuma das modalidades oferecidas. O projeto acolhe desde crianças até idosos com mais de 80 anos que buscam realizar sonhos antigos na dança ou na música.
A iniciativa prioriza moradores das comunidades de Madureira, Vaz Lobo, Rocha Miranda e Marechal Hermes. No entanto, moradores de outros bairros da Zona Norte e da Baixada Fluminense também podem tentar uma vaga, desde que consigam acompanhar a frequência das aulas presenciais na Portelinha.
Para se matricular, o aluno precisa apenas comparecer à secretaria do projeto nos períodos de inscrição munido de documento com foto e comprovante de residência. Menores de idade devem estar acompanhados por um responsável legal.
Quando abrem as novas vagas e como se inscrever?
As inscrições para a temporada de 2026 já estão encerradas por conta da preparação das equipes para o desfile na Marquês de Sapucaí. O cadastro para as novas turmas abrem logo após o Carnaval de 2027, com previsão de início do atendimento presencial na segunda quinzena de março.
Os interessados devem acompanhar as chamadas oficiais na secretaria da Portelinha, localizada perto da Praça Paulo da Portela, em Madureira. O atendimento presencial ocorre em dias úteis, das 9h às 17h, quando as inscrições estão abertas.
Em caso de dúvidas sobre documentos ou preenchimento de cadastro, o morador pode procurar a equipe de apoio no local. A organização não cobra taxa de matricula nem mensalidades em nenhuma fase do processo.
Como fica a região e qual o impacto para os moradores?
A presença da escola de artes altera a rotina de dezenas de famílias na Zona Norte. Para quem vive no entorno das favelas da Serrinha e do Cajueiro, o espaço funciona como um ponto de refúgio, convivência e aprendizado longe da rotina de violência da região. Alunos relatam que as aulas ajudam a combater a depressão e o isolamento social.
A realidade das operações policiais no bairro de Rocha Miranda e arredores ainda interfere na frequência, exigindo que alunos saiam mais cedo em dias de instabilidade. Mesmo assim, o projeto mantém suas portas abertas como um ponto de resistência cultural e apoio comunitário.
Além do ganho cultural, os cursos de trança e maquiagem ajudam a movimentar a economia local. Muitas mulheres formadas na Portelinha começam a atender clientes na própria casa, garantindo o sustento da família com a profissão aprendida no projeto.















