Rafael Thompson é exonerado da Rioluz após caso de apartamento ligado a Castro

Rafael Thompson

Rafael Thompson foi exonerado da presidência da Rioluz, em decisão oficializada na edição desta segunda-feira (1º) do Diário Oficial do Município do Rio. A saída ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que colocou sob pressão nomes próximos ao ex-governador Cláudio Castro.

A exoneração acontece poucos dias depois de a PF apontar Mauro Farias, irmão de Thompson e ex-secretário de Transformação Digital do governo Castro, como ligado à empresa J3 Real Estate Participações. A companhia é proprietária de uma cobertura de alto padrão no condomínio Península, na Barra da Tijuca, imóvel para onde Castro teria se mudado recentemente e que foi alvo de mandado de busca e apreensão.

A decisão do prefeito Eduardo Cavaliere não veio acompanhada de justificativa oficial relacionada à investigação. Ainda assim, a saída de Thompson amplia a repercussão política do caso, que vem atingindo personagens com ligação direta ou indireta ao grupo do ex-governador.

Antes de comandar a Rioluz, Thompson teve atuação em cargos estratégicos na política fluminense. Ele foi secretário de Governo durante a gestão de Cláudio Castro e também mantém vínculos empresariais com o irmão Mauro Farias por meio da empresa P5 Soluções.

A P5 Soluções já havia sido citada pelo Ministério Público Eleitoral em investigação sobre a campanha de Castro em 2022. Segundo o órgão, haveria indícios de que a empresa recebeu de forma irregular R$ 2,6 milhões de fornecedores da campanha. Na ocasião, o MPE mencionou suspeitas de “malversação nos gastos públicos”.

Outro ponto observado pelos investigadores envolve a composição societária da empresa proprietária do imóvel alvo da operação. Entre os sócios aparece o advogado Ronaldo Tormenta Pereira, citado como pessoa próxima de Thompson e com atuação nos bastidores políticos ligados ao ex-deputado Rodrigo Bacellar.

Com a exoneração, Thompson passa a integrar a lista de nomes de destaque da política fluminense que deixaram funções públicas em meio aos efeitos da Operação Compliance Zero. Em manifestações anteriores, a defesa dele afirmou que sua presença em cargos públicos sempre esteve ligada à qualificação técnica e à experiência em gestão, negando qualquer irregularidade.

A movimentação aumenta o peso político do caso e mantém no centro das atenções os desdobramentos da investigação federal no Rio de Janeiro.

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