Quem era José Antônio Lourenço Júnior? Agente da Core Morto na Cidade de Deus

José Antônio Lourenço Júnior

José Antônio Lourenço Júnior, policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), foi morto na manhã desta segunda-feira (19) durante uma operação na comunidade da Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O agente, de 43 anos, chegou a ser socorrido em estado grave ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com reportagem de Ana Fernanda Freire, do Jornal O Dia, José Antônio havia sido nomeado em março como diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol) e era conhecido por sua atuação em defesa da categoria. Ele também ocupou o cargo de subsecretário de Operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), entre fevereiro de 2022 e maio de 2023.

A operação na Cidade de Deus foi realizada em apoio à Delegacia do Consumidor (Decon), que fiscalizava a qualidade do gelo vendido nas praias da Barra da Tijuca e Recreio. Durante a ação, uma fábrica foi interditada por utilizar água contaminada, e um dos responsáveis pelo local foi encaminhado à delegacia.

O confronto armado que vitimou o agente foi registrado em vídeos divulgados nas redes sociais. As imagens mostram o desespero de colegas durante o socorro e a intensidade do tiroteio. O local onde o policial foi baleado ficou coberto de projéteis e marcas de sangue.

A Polícia Civil lamentou a perda do agente em nota oficial. “A perda de um dos nossos é sentida com dor e indignação. As diligências para identificar os responsáveis por esse ataque covarde já estão em andamento”, declarou a instituição.

A Secretaria de Ordem Pública também prestou solidariedade. “A Seop lamenta profundamente o falecimento do Policial Civil José Antônio Lourenço e expressa sinceros sentimentos à família e amigos”, informou.

A secretária de Assistência Social do município, Martha Rocha, que também é deputada licenciada e ex-chefe de Polícia Civil, prestou homenagem ao agente nas redes sociais. “José Antônio também exerceu a função de subsecretário de Ordem Pública do Rio de Janeiro, deixando uma importante marca em sua trajetória de serviço à sociedade. Minha solidariedade e minhas orações estão com seus familiares e amigos”, escreveu.

Na Polícia Civil desde 2015, José Antônio atuou em unidades estratégicas como as delegacias de homicídios da Capital e da Baixada Fluminense, além do Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro.

Após a morte do agente, a Polícia Civil iniciou uma operação na região para localizar os responsáveis. O confronto voltou a se intensificar e impactou diretamente o trânsito. A Linha Amarela chegou a ser interditada no sentido Fundão, e 19 linhas de ônibus tiveram o itinerário alterado para garantir a segurança de passageiros e motoristas.

O Centro de Operações Rio informou que o bloqueio causou congestionamentos na Avenida Ayrton Senna e no acesso pela Estrada do Gabinal. Segundo o Rio Ônibus, este foi o quinto caso semelhante apenas em maio, totalizando 96 desvios de linhas por causa da violência.

“Mais uma vez reiteramos o apelo às autoridades de segurança pública, ressaltando a necessidade urgente de se tomar providências para devolver o direito de viver em paz da população carioca”, destacou a nota da instituição.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que três unidades de saúde da região precisaram ser fechadas por causa do tiroteio. Já a Secretaria Municipal de Educação manteve as aulas no turno da manhã, mas suspendeu as atividades no período da tarde.

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