Operação da Polícia Civil desarticula grupo criminoso que roubava medicamentos oncológicos e imunossupressores, contando com apoio do TCP.
Um esquema criminoso audacioso, que envolvia o roubo de medicamentos essenciais para o tratamento de câncer e a manipulação de licitações públicas, foi desmantelado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A quadrilha, com forte ligação ao grupo criminoso Terceiro Comando Puro (TCP), utilizava uma rede complexa de empresas para recolocar os produtos roubados no mercado formal, enganando órgãos governamentais.
A investigação, batizada de Operação Metástase, revelou que o grupo movimentou impressionantes R$ 33 milhões em apenas um ano. Para atingir seus objetivos, os criminosos adquiriam empresas antigas, muitas vezes já inativas, com o objetivo de forjar um histórico de experiência e credibilidade para vencer processos licitatórios.
Cinco pessoas foram presas até o momento, e a operação se estendeu por quatro estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. A estratégia visava não apenas o lucro fácil, mas também a recolocação de medicamentos roubados no mercado legal, utilizando empresas de fachada para mascarar a origem ilícita dos produtos. Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, o esquema demonstrava um alto grau de sofisticação e planejamento.
Empresas Fantasmas e Histórico Forjado para Vencer Licitações
A principal tática da quadrilha, segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), era a aquisição de companhias que já possuíam um longo registro de atividade, mesmo que estivessem falidas. A ideia era usar o histórico dessas empresas antigas para conferir uma aparência de solidez e experiência perante o poder público.
O delegado Luiz Eduardo Moura explicou que a estratégia envolvia a nomeação de “laranjas” como responsáveis legais pelas empresas. Dessa forma, a quadrilha buscava criar uma fachada de legalidade, utilizando o CNPJ de companhias estabelecidas há muitos anos para participar e vencer licitações na modalidade tomada de preços, onde o menor valor apresentado é o vencedor.
Alguns CNPJs eram criados com o intuito específico de serem usados no esquema, mas a preferência recaía sobre empresas com muito tempo de existência, o que facilitava a simulação de credibilidade. Essa prática visava burlar a análise do sistema público, que poderia desconfiar de empresas recém-criadas participando de licitações de grande vulto no setor de saúde.
Apoio do TCP e Logística para o Roubo de Cargas
A investigação apontou que a quadrilha contava com o apoio direto do Terceiro Comando Puro (TCP), uma facção criminosa conhecida por sua atuação em diversas atividades ilícitas. Esse apoio era fundamental para a execução dos roubos das cargas de medicamentos, que ocorriam de forma planejada e com informações privilegiadas.
Integrantes da organização criminosa tinham acesso antecipado às rotas dos caminhões que transportavam os medicamentos. Os ataques eram realizados em pontos estratégicos, próximos a comunidades dominadas pelo TCP, o que facilitava a abordagem e a condução dos motoristas, além de garantir a ocultação rápida dos produtos roubados.
Após os roubos, as cargas eram levadas para o Complexo da Maré, uma área de grande influência do TCP. Nesse local, os medicamentos eram transferidos, armazenados e posteriormente distribuídos para outros estados, utilizando a rede de empresas investigadas por fazerem parte do esquema criminoso. A Polícia Civil estima que a organização tenha participado de pelo menos 50 roubos de cargas de medicamentos desde 2023.
Presos e Medicamentos Recuperados na Operação Metástase
A Operação Metástase, deflagrada nesta terça-feira (21), resultou na prisão de cinco suspeitos. Entre os presos estão Carlos Roberto Fernandes, encontrado com armas ilegais em São Paulo, e Fernanda Rodrigues França, apontada como integrante do núcleo de receptadores.
Guilherme Silva Lopes de Sena, companheiro de Fernanda, foi preso em flagrante por armazenamento de medicamentos controlados sem autorização. Stefano Montovani Fernandes é apontado como o chefe do esquema, chegando a encomendar roubos de cargas. Umberto Xavier de Lima completa a lista dos presos, sendo também apontado como receptador.
A operação, que contou com agentes no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, busca recuperar os medicamentos roubados e desarticular completamente a rede criminosa. A Polícia Civil continua as investigações para identificar outros envolvidos e recuperar o valor total movimentado pelo grupo, que superou os R$ 33 milhões em um ano, evidenciando a dimensão do prejuízo causado ao sistema de saúde e aos pacientes que dependem desses tratamentos oncológicos e imunossupressores.














