Quadrilha presa por drogas sintéticas em favelas do Rio

Vinicius da Silva Melo Abade

Uma operação conjunta da Polícia Federal com o Ministério Público do Rio de Janeiro resultou na prisão de integrantes de uma quadrilha que produzia e distribuía drogas sintéticas em larga escala. A ação foi revelada em reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (19), e mostrou como o grupo atuava em comunidades da capital fluminense com apoio do tráfico local. Com laboratórios clandestinos instalados em favelas como o Complexo do Alemão e o da Penha, a organização foi responsável por espalhar substâncias como ecstasy e MDMA por todo o país.

A quadrilha presa por drogas sintéticas tinha como principal líder Vinicius da Silva Melo Abade, de 34 anos, apontado como chefe da organização “Cartel Brasil”. Vinicius utilizava uma empresa de fachada chamada “Perfumaria & Cosméticos Mendes JK Limitada” para comprar os insumos usados na fabricação dos entorpecentes. Entre os materiais adquiridos estavam cafeína, efedrina e outros produtos com potencial estimulante.

Segundo a investigação, a produção era realizada em condições precárias, com estruturas improvisadas em locais escondidos dentro das favelas. Os produtos eram vendidos pela internet e entregues por meio de “mulas do tráfico”, que atuavam como transportadoras humanas da droga para diversos estados, como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Roraima, Rondônia e Acre.

Vinicius foi preso em um apartamento de luxo na Zona Oeste do Rio. No local, os agentes apreenderam sete carros de alto padrão, drogas, insumos químicos e outros bens de alto valor. A estimativa é de que o patrimônio acumulado pelo chefe da quadrilha supere os R$ 50 milhões. A Justiça foi acionada para realizar o sequestro desses bens.

De acordo com o delegado Samuel Escobar, “fora, eles ostentavam carros, viagens de luxo, jetskis, embarcações. Dentro, atuavam como verdadeiros traficantes. Além de pessoas contratadas informalmente, havia até crianças envolvidas na produção da droga”, declarou em depoimento ao Fantástico, da TV Globo.

Entre os demais integrantes da quadrilha presos está Matheus de Lima Viana, conhecido como “Matheusinho”, suspeito de comandar os laboratórios no Complexo da Penha. Outros nomes citados na investigação incluem Diego Bras, o “Fex”, e Rômulo César de Oliveira Ramos, apelidado de “Rato”, responsável pela contabilidade da operação. Ambos continuam foragidos.

As atividades da Cartel Brasil contavam com a proteção do Comando Vermelho. Em troca de segurança para operar dentro das favelas, parte da produção era entregue diretamente aos traficantes locais. O promotor de Justiça Alexander Araujo de Souza afirmou que “essa organização criminosa teve o aval do Comando Vermelho para atuar na fabricação e na distribuição das drogas sintéticas”.

Os laboratórios montados pela quadrilha funcionavam de forma rudimentar, o que aumentava os riscos para quem consumia os produtos. A perita criminal federal Ana Luiza Oliveira explicou que os entorpecentes eram produzidos com misturas perigosas. “Já encontramos comprimidos com MDMA misturado a cetamina, sedativos para animais e até fentanil, que pode ser letal. É uma ilusão achar que todos os comprimidos têm a mesma dosagem ou qualidade. Há substâncias adulteradas que mudam completamente o efeito”, afirmou.

As investigações, iniciadas em 2022, indicam que a quadrilha movimentava grandes volumes em cada operação. Em uma única compra, os criminosos adquiriram matéria-prima suficiente para produzir mais de quatro toneladas de substâncias sintéticas. A estrutura da organização incluía funções específicas, como produção, distribuição, contabilidade e fachada empresarial, demonstrando um alto nível de organização.

Dos envolvidos, nove pessoas foram presas até o momento, e outras 16 estão foragidas. As autoridades continuam realizando diligências para capturar os demais suspeitos. Todos os detidos responderão pelos crimes de tráfico de drogas e organização criminosa.

As defesas dos citados não foram encontradas pela equipe do Fantástico até a publicação da reportagem.

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