PSD no ES: Mulheres sem apoio podem anular votos e salvar o PSOL com fraude na cota de gênero
A federação Rede/PSOL identificou uma estratégia para tentar superar a cláusula de barreira retroativamente. No Espírito Santo, a federação ficou a uma pequena margem de votos de atingir a meta de 1,5% dos votos válidos para deputado federal. Uma possível anulação dos votos do PSD no estado poderia alterar esse cenário.
Candidatas do PSD no Espírito Santo alegam que não receberam apoio algum para concorrer a vagas na Câmara dos Deputados. Convocadas de última hora, elas relatam a ausência de estrutura, recursos e qualquer tipo de suporte para suas campanhas eleitorais.
Essa situação levanta a hipótese de fraude à cota de gênero, um crime eleitoral cuja punição pode ser a anulação dos votos de toda a chapa do partido. A cassação dos votos do PSD forçaria uma recontagem no Espírito Santo, diminuindo o total de votos válidos e aumentando a porcentagem da federação Rede/PSOL, potencialmente levando-a a atingir os 1,5% necessários.
O que é a Cláusula de Barreira e como ela afeta os partidos
Para superar a cláusula de barreira e garantir acesso a recursos como fundo partidário, participação em debates e tempo de TV, um partido ou federação precisa alcançar 1,5% dos votos para deputado federal em, no mínimo, nove unidades da federação. A federação Rede/PSol atingiu essa meta em apenas oito estados, apesar de ter chegado perto de 5% dos votos nacionais para deputado federal.
Denúncias de Candidatas do PSD-ES sobre a Cota de Gênero
A cota de gênero determina que os partidos reservem entre 30% e 70% de suas candidaturas para cada sexo. Nos últimos anos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem intensificado a fiscalização contra fraudes. Uma súmula de 2024 aponta três circunstâncias que configuram fraude: votação zerada ou inexpressiva, prestação de contas zerada ou sem movimentação financeira relevante, e ausência de atos efetivos de campanha. Uma única dessas condições pode ser suficiente para atestar a fraude.
Sandra Frasson, uma das candidatas do PSD-ES, declarou à coluna que o partido falhou em todos os requisitos. Ela relatou a falta de organização e aparato para a eleição, não tendo sequer santinhos para distribuir e obtendo 153 votos. Frasson mencionou que não recebeu apoio financeiro do partido para se locomover ou realizar campanha, e que chegou a enviar um e-mail para Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, sem obter resposta.
Jane Zanetti, outra candidata, contou que foi procurada por pessoas ligadas ao presidente do PSD-ES, Renzo Vasconcelos, com um pedido de última hora para se candidatar. Ela aceitou, acreditando que receberia todo o apoio prometido, mas, segundo seu relato, o partido não ofereceu suporte algum, nem financeiro nem logístico. Zanetti acredita que foi lançada apenas para cumprir a cota feminina, pois outra candidata teria abandonado a disputa.
A terceira candidata mulher do PSD-ES, Cintia Nininha, renunciou à candidatura em setembro, alegando falta de retorno e recursos. Ela afirmou que não recebeu nada e que o partido não ofereceu condições para o trabalho de campanha.
Estrutura do PSD-ES voltada para outras candidaturas
Tanto Sandra Frasson quanto Jane Zanetti relatam que toda a estrutura e os recursos do PSD no Espírito Santo foram direcionados para as candidaturas de Sérgio Meneguelli (candidato a senador) e Da Vitória (candidato a deputado federal pelo PP), ambos do mesmo grupo político. O único apoio que Jane Zanetti alega ter recebido foi a gravação de um material publicitário na casa de Sérgio Meneguelli, que também não cumpriu a promessa de gravar um pedido de voto conjunto.
A reportagem tentou contato com o secretário-geral do PSD-ES, Nilo Locatelli, mas ele não respondeu às mensagens. O espaço permanece aberto para manifestação do partido.













