Ministério da Justiça abre investigação contra CazéTV por publicidade de apostas esportivas durante transmissões da Copa do Mundo.
A Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJ), iniciou uma investigação para apurar possíveis irregularidades em conteúdos publicitários de casas de apostas veiculados nas transmissões da CazéTV na Copa do Mundo. O foco é determinar se houve publicidade abusiva e violação ao Código de Defesa do Consumidor.
A apuração surge após a circulação de trechos de transmissões onde narradores e comentaristas teriam incentivado apostas com baixa probabilidade de acerto. Essas ações geraram questionamentos sobre a forma como a publicidade foi integrada à programação, levantando preocupações sobre a influência no comportamento do consumidor.
O Ministério da Justiça avalia se as práticas analisadas se enquadram como publicidade abusiva, conforme o artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor. Essa modalidade de propaganda explora a “deficiência de julgamento e experiência do consumidor” ou pode induzir a comportamentos prejudiciais ou perigosos. A investigação busca reunir elementos para decidir sobre a abertura de um processo administrativo formal.
Indícios de Publicidade Abusiva e Exploração da Vulnerabilidade do Consumidor
De acordo com um documento obtido pelo ICL Notícias, técnicos do Ministério da Justiça identificaram indícios de que as práticas analisadas podem caracterizar publicidade abusiva. O artigo 37, parágrafo 2º, do Código de Defesa do Consumidor considera abusiva a publicidade que se aproveita da “deficiência de julgamento e experiência do consumidor” ou que o induz a se comportar de forma prejudicial à sua saúde ou segurança.
O documento ressalta que estratégias promocionais associadas a eventos esportivos populares e mensagens que estimulam apostas imediatas exigem análise cuidadosa quanto à sua influência no comportamento do público. A investigação visa garantir a proteção do consumidor contra práticas que possam ser exploratórias.
Análise de Odds ao Vivo e o Risco de Incentivo a Apostas
Outro ponto sob escrutínio é a divulgação de “odds”, as cotações em tempo real, durante os jogos. O Ministério da Justiça considera que a forma como essas informações são apresentadas ao público pode configurar irregularidade. É necessário avaliar se a exposição dessas informações, aliada a comentários de incentivo, respeita os princípios de transparência e jogo responsável.
Um exemplo citado na investigação ocorreu durante a partida entre Canadá e Catar. Mesmo com o Canadá vencendo por 3 a 0 e com vantagem de um jogador a mais em campo, foi promovida uma aposta com retorno de R$ 4,20 para cada real apostado caso ambas as seleções marcassem gols até o final. O jogo terminou com placar de 6 a 0 para o Canadá.
Falhas de comentaristas durante a transmissão também chamaram a atenção. O narrador Fernando Nardini comentou sobre a pressão do Canadá e a possibilidade de o Catar aproveitar uma “desguarnecida” na defesa. Já o comentarista Bruno Magalhães ponderou que “no futebol a gente já viu de tudo”, sugerindo a possibilidade de reviravoltas.
Ministério da Fazenda Notifica Bet365 sobre Campanhas Publicitárias
Paralelamente à investigação do Ministério da Justiça, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda também identificou possíveis irregularidades nas campanhas publicitárias veiculadas na CazéTV. A pasta notificou a Bet365, uma das patrocinadoras do canal juntamente com Betnacional e KTO.
A notificação exige que a Bet365 interrompa a veiculação de peças publicitárias consideradas fora dos parâmetros regulatórios. A empresa tem um prazo de 10 dias para comprovar o alinhamento prévio com a CazéTV e demonstrar conformidade com as normas vigentes, incluindo diretrizes do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).
Casimiro Miguel Comenta a Presença de Publicidade de Apostas
Em meio à repercussão, o influenciador Casimiro Miguel, figura central da CazéTV, comentou a grande quantidade de anúncios de apostas em suas transmissões. Ele reconheceu que a publicidade de apostas é uma “realidade do mercado atual” e que “é o que mais paga hoje, é o que faz girar o negócio”.
Casimiro minimizou a ideia de que a publicidade cause prejuízos diretos ao público, afirmando: “Prejudicou o que? A galera pode se incomodar de ver na tela, mas prejudicar o que?”. A CazéTV foi contatada para comentar a investigação, mas ainda não emitiu um posicionamento oficial sobre o caso.














