Proibição de apps na Zona Oeste assusta motoristas e entregadores no RJ

Senador Camará

A proibição de apps na Zona Oeste assusta motoristas e entregadores no RJ, que relatam ameaças e impedimentos para circular em comunidades da região. Segundo os profissionais, criminosos estariam restringindo a entrada de veículos vinculados a aplicativos, permitindo apenas a atuação de serviços locais.

No Complexo de Senador Camará, um dos pontos citados nas denúncias, trabalhadores afirmam que têm sido abordados por homens armados e orientados a deixar o local antes mesmo de concluir corridas. A situação tem levado muitos a evitarem aceitar viagens com destino à área.

De acordo com relatos compartilhados em grupos de redes sociais, a recomendação entre motoristas é recusar corridas para determinadas comunidades devido ao risco de abordagens violentas.

“Acabei de ir lá na Senador Camará, ali na Rua Olga, nem cheguei lá, mano. Os caras me enquadraram de fuzil, perguntaram se eu era 99 ou se eu era moto Uber. Eu falei que era da favela, que ia pegar um passageiro ali e levar para Realengo. Eles mandaram eu voltar”, contou um motorista.

“Falaram que não querem ninguém de aplicativo dentro de Camará. Disseram que se entrar vai perder a chave da moto e vai ficar por isso mesmo. Falaram que só querem os mototáxis deles.”, completou o profissional.

A situação tem causado impacto direto na rotina de trabalho, gerando medo e prejuízo financeiro, já que muitos profissionais deixam de aceitar corridas para essas regiões.

Relatos semelhantes também foram registrados em outras localidades, como Santa Cruz, Vila Aliança e áreas da Ilha do Governador. Em alguns casos, passageiros afirmam ter dificuldade para conseguir corridas, já que motoristas se recusam a entrar nesses locais.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia informou que acompanha com preocupação as restrições e destacou que as plataformas oferecem recursos de segurança, como botão de emergência com acionamento direto para o 190.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que mantém policiamento constante na região e que as ações são planejadas com base em dados e monitoramento das dinâmicas criminais, buscando garantir a segurança e a livre circulação.

A corporação também reforçou a importância das denúncias anônimas, que podem ser feitas por meio do Disque Denúncia ou pelos canais de emergência.

Enquanto isso, a realidade nas ruas mostra que, em algumas áreas, aceitar uma corrida pode significar muito mais do que apenas trabalhar — pode envolver riscos que muitos já não estão dispostos a correr.

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