Professores e funcionários da rede estadual de ensino fizeram um protesto no Centro do Rio nesta terça-feira. A categoria cobra reajuste salarial e avisa que as aulas podem parar caso o governo estadual não avance nas negociações.
Mobilização na Alerj pressiona governo por cumprimento do piso salarial
A concentração reuniu dezenas de servidores nas escadarias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Rua Primeiro de Março. A mobilização foi organizada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio (Sepe-RJ). Quem passou pelo Centro sentiu o reflexo no trânsito, com movimentação intensa de manifestantes e policiamento reforçado nos arredores do Palácio Tiradentes.
A categoria já aprovou o chamado estado de greve. Esse mecanismo funciona como um sinal formal de alerta ao governo de que uma paralisação geral por tempo indeterminado pode ser decretada a qualquer momento. Para o leitor que tem filho matriculado em colégio estadual, a rotina escolar entra em compasso de espera nos próximos dias.
O principal ponto do protesto é a aplicação real do Piso Nacional do Magistério no plano de carreira dos educadores. De acordo com o sindicato, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) não incorpora o piso à tabela de vencimentos, pagando apenas um complemento para atingir o valor básico. Isso faz com que professores antigos e com especialização recebam salários muito próximos aos de quem acabou de ingressar na rede.
Quais são as exigências dos profissionais de educação?
Além do piso salarial nacional, os trabalhadores cobram o anúncio da Revisão Geral Anual (RGA) de 2025. Outra queixa muito antiga entre os servidores é o valor do auxílio-alimentação. O benefício está congelado em R$ 12 por dia útil há mais de dez anos, quantia insuficiente até para pagar uma refeição simples no Centro ou nos bairros da periferia fluminense.
A pauta inclui ainda o reajuste imediato do auxílio-transporte e a publicação formal do abono funcional dos dias relativos a greves e paralisações anteriores. Os trabalhadores pedem também:
- A migração dos Docentes II para carga horária compatível;
- O enquadramento dos servidores oriundos da extinta Fundação de Apoio à Escola Pública (Ex-Faep) no plano de carreira da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec);
- A regularização da situação funcional e contratual dos animadores culturais que atuam nas escolas;
- A realização de novos concursos públicos em caráter de urgência;
- Melhores condições de infraestrutura nas salas de aula e fortalecimento do apoio aos alunos de educação inclusiva;
- A revogação definitiva das regras que facilitam a aprovação automática no ensino fundamental e médio.
O que diz o Governo do Estado?
Sobre a Revisão Geral Anual, o Executivo estadual informou que o tema segue em análise técnica dentro da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-RJ). O órgão analisa o impacto financeiro nas contas públicas para verificar o que pode ser liberado no orçamento do estado nos próximos meses.
Em relação às demais pautas da Seeduc, os servidores afirmam que o diálogo formal ainda não trouxe respostas conclusivas para os pedidos mais urgentes. A cobrança principal é que os deputados estaduais intermediem as conversas antes que a greve geral seja deflagrada nas mais de mil escolas do estado.
Quando acontece a paralisação e o que muda na rotina?
O Sepe-RJ já marcou um dia de paralisação de 24 horas em toda a rede estadual de ensino, data em que as unidades não terão aulas normais. Na mesma ocasião, os servidores farão uma manifestação em frente à sede do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), no Centro da capital, seguida por uma assembleia geral presencial para votar o futuro do movimento.
Para pais e responsáveis pelos estudantes, o conselho é manter contato direto com as secretarias das escolas dos seus bairros. Nos dias de mobilização, os colégios costumam operar apenas com atendimento administrativo básico ou fechar as portas para o corpo discente.
Baixada Fluminense também registra protestos na área da Educação
A insatisfação com a gestão do ensino público não ficou restrita à capital fluminense nesta terça-feira. No município de Seropédica, na Baixada Fluminense, servidores da rede municipal também organizaram um ato público nas ruas para cobrar a prefeitura local.
Os funcionários da educação de Seropédica reivindicam um canal de diálogo e denunciam a falta de previsão para o pagamento da segunda parcela ou totalidade do 13º salário. A categoria reclama ainda do atraso histórico no repasse de quinquênios, da precariedade na merenda escolar entregue às crianças e da escassez de profissionais concursados para atender crianças com deficiência nas salas de aula.














