Prisão em Manguinhos gera protesto de família de homem que soltava pipa

Parentes de Carlos Henrique da Silva Junior fecharam a Rua São Luiz Gonzaga, na Zona Norte, em protesto contra a prisão dele em Manguinhos. A família afirma que o rapaz participava de um festival de pipas e não cometeu crime.

O caso ocorreu durante uma operação policial perto da antiga refinaria Refit, na Avenida Brasil. A prisão em flagrante acabou convertida em preventiva pela Justiça, o que revoltou amigos e vizinhos que convivem com o trabalhador na região.

Prisão preventiva divide versões entre família e boletim da PM

Carlos Henrique trabalha com carteira assinada na função de auxiliar de serviços gerais. De acordo com os parentes, ele não tem passagens criminais anteriores e aproveitava o sábado de folga para empinar pipa com conhecidos. A defesa pediu a liberdade provisória, mas a 29ª Vara Criminal da Capital rejeitou a solicitação e manteve a detenção no sistema penitenciário.

A versão apresentada pelos policiais militares do 22º BPM (Maré) e da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos descreve um cenário diferente. A equipe relatou que foi até o terreno abandonado da refinaria após denúncias de homens armados. Ao chegarem ao local, os agentes foram recebidos a tiros, o que deu início a um intenso confronto no entorno da comunidade Arara-Mandela.

Durante o tiroteio, um cabo da PM acabou ferido por um tiro no braço. Ele foi socorrido e levado para o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), no Estácio, onde recebeu atendimento médico em quadro de saúde estável. Após cessarem os disparos, os agentes realizaram buscas pela área da refinaria e encontraram Carlos deitado no chão.

Segundo a ocorrência, a cerca de um metro do rapaz havia um cone de trânsito usado para esconder um fuzil calibre 7,62 modelo AR-10, com a numeração raspada. Também foram recolhidos oito carregadores, 125 cartuchos intactos, quatro frascos de lança-perfume e R$ 258 em espécie. Um segundo homem, chamado Wallace Lima Mandu da Silva, acabou detido a 50 metros de distância, mas os policiais registraram que os dois não estavam juntos no momento da abordagem.

O que já se sabe sobre o caso

O tiroteio interrompeu a rotina nas margens da Avenida Brasil e assustou motoristas que passavam pelo trecho de Manguinhos. A Polícia Militar informou que a perícia de local imediata não aconteceu por causa do risco de novos confrontos no terreno da refinaria. Nenhum aparelho de telefone celular foi recolhido com os detidos na ocasião.

O inquérito sobre o confronto e as apreensões segue em andamento na 21ª DP (Bonsucesso). Os investigadores buscam ouvir testemunhas do festival de pipas e verificar se existem imagens de câmeras de segurança instaladas no perímetro industrial para esclarecer a dinâmica da prisão. A defesa de Carlos Henrique prepara novos recursos para pedir a revogação da prisão preventiva junto ao Tribunal de Justiça.

Como denunciar

Quem tiver informações que ajudem a esclarecer a atuação criminosa na região ou que auxiliem nas investigações da 21ª DP pode colaborar de forma totalmente anônima. O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, número que também recebe dados e mensagens pelo WhatsApp.

Também é possível repassar relatos pelo aplicativo gratuito “Disque Denúncia RJ” ou pelo site oficial do programa. O sigilo do denunciante é absoluto por lei, garantindo a proteção de testemunhas e moradores da Zona Norte.

Como fica a região

O protesto realizado na Rua São Luiz Gonzaga, nas imediações do Morro do Tuiuti, causou retenções parciais no trânsito durante a tarde. O policiamento segue com rondas reforçadas pelo 22º BPM tanto no entorno de Manguinhos quanto nos acessos pela Avenida Brasil, visando prevenir novos tiroteios e garantir a circulação de pedestres.

O transporte coletivo da região opera com linhas regulares, mas os motoristas de ônibus e moradores monitoram a segurança antes de transitar pelas vias internas. O comércio local e as unidades de saúde funcionam dentro da rotina, mas a movimentação de viaturas permanece constante nos acessos às comunidades vizinhas.

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