MP Eleitoral pede ao TSE veto a Canella por elo com milícia

O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a anulação do registro de candidatura do deputado estadual Márcio Canella. A solicitação ocorreu após investigações federais apontarem ligação do político com grupos paramilitares que atuam no Rio de Janeiro.

Parecer aponta ligação com o crime organizado

Segundo a manifestação encaminhada aos ministros da corte eleitoral, existem elementos colhidos pela Polícia Federal que colocam o parlamentar como peça central de uma estrutura criminosa. O documento sustenta que a participação em esquemas ilegais impede o exercício do mandato público conquistado nas urnas fluminenses.

Márcio Canella acabou detido no dia 15 de outubro durante uma ação coordenada pela PF batizada de Operação Unha e Carne. O trabalho policial chegou à sua oitava fase mirando a lavagem de capitais por meio do comércio varejista de combustíveis em dezenas de estabelecimentos no território fluminense.

De acordo com os relatórios contábeis da corporação, o grupo sob suspeita movimentou a quantia de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. O dinheiro ilegal de atividades paramilitares circulava pelas contas bancárias de empresas fantasmas e postos de gasolina antes de retornar aos integrantes do esquema.

O que já se sabe

A ofensiva da Polícia Federal ocorreu de surpresa e cumpriu mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Canella e outros cinco investigados continuam atrás das grades após terem os pedidos de liberdade negados em audiência de custódia preliminar.

Os agentes apreenderam documentos, mídias digitais, celulares e registros contábeis nas residências dos alvos e nos escritórios ligados às empresas envolvidas. A perícia técnica agora cruza as trocas de mensagens encontradas nos aparelhos para detalhar a rotina de repasses e a divisão de tarefas entre os membros do grupo.

A Promotoria Eleitoral argumenta que um candidato envolvido com facções paramilitares fere a lisura do pleito e ameaça o equilíbrio democrático. O processo agora aguarda a distribuição de relatoria em Brasília para ser julgado em definitivo pelo plenário do tribunal.

Como fica a região

A situação atinge em cheio a política da Baixada Fluminense, reduto eleitoral onde o deputado obteve a maior parte dos votos no último pleito. A notícia da prisão e do pedido de cassação gera incerteza sobre a representação da região nas decisões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Para quem vive em municípios da Baixada, a atuação de grupos paramilitares não é novidade no dia a dia. A população enfrenta cobranças de taxas ilegais de segurança, controle na venda de botijões de gás, domínio do sinal de internet clandestina e restrições na circulação de vans e mototáxis em diversas comunidades.

A investigação federal tenta desmantelar o braço financeiro que sustenta o poder territorial dessas quadrilhas armadas. Com o bloqueio das contas e o avanço dos processos, o policiamento ostensivo costuma ser reforçado em áreas periféricas para evitar confrontos entre bandos rivais que disputam os pontos comerciais deixados para trás.

Quem responde por isso

O caso corre na esfera judicial sob comando da Polícia Federal e do Ministério Público Eleitoral, com decisão final cabendo ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília. A Procuradoria Regional Eleitoral acompanha os desdobramentos locais para adotar as medidas cabíveis no âmbito do estado do Rio.

A defesa do parlamentar sustenta que os fatos investigados não configuram interferência direta na votação e tenta reverter a prisão preventiva no Superior Tribunal de Justiça. Caso a cassação seja confirmada pelos ministros do tribunal eleitoral, a Justiça Eleitoral precisará recalcular os quocientes partidários para convocar o próximo suplente da coligação partidária.

Como denunciar

O cidadão que tiver informações sobre a atuação de grupos armados, extorsões a comerciantes ou lavagem de capitais no estado pode colaborar de forma segura com as autoridades.

  • Disque Denúncia do Rio de Janeiro: telefone (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com sigilo absoluto garantido por lei.
  • WhatsApp do Disque Denúncia: número (21) 2253-1177, canal exclusivo para envio de mensagens, fotos e documentos.
  • Aplicativo Disque Denúncia RJ: disponível gratuitamente para celulares nas lojas virtuais de aplicativos.
  • Polícia Federal: denúncias podem ser feitas presencialmente na Superintendência Regional na Praça Mauá ou pela ouvidoria virtual oficial da instituição.
Limpatech