No último sábado (15), ocorreu, em Brasília, o Primeiro Encontro Nacional dos Comunicadores Populares da Cultura, uma iniciativa do Laboratório de Cultura Digital da UFPR, em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), reunindo autoridades, universidades, movimentos sociais e agentes territoriais de cultura.
O evento marcou o lançamento da Rede Comunica Cultura, uma articulação nacional que reúne comunicadores populares, agentes territoriais e criadores de conteúdo de diversas regiões do país. A Rede nasce do próprio processo de cobertura colaborativa do Encontro Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), propondo uma forma de comunicação construída a partir dos territórios, em diálogo com a política pública, mas com identidade e narrativa próprias.
Mais do que uma plataforma, a Rede Comunica Cultura é uma experiência em andamento — um campo de prática, troca e criação coletiva que conecta territórios, iniciativas locais e diferentes esferas da sociedade. Seu futuro será construído em rede, a muitas mãos, pelas pessoas que comunicam, vivem e fazem a cultura pulsar no Brasil profundo.
“Estamos aqui com uma tarefa que é científica, política e profundamente humana, que é a de reconstruir os vínculos entre o poder público e a sociedade civil, para que a comunicação cumpra a sua função de promover o bem comum”, comenta a coordenadora do Laboratório de Cultura Digital da Universidade Federal do Paraná, Professora Tarcisa Bega, durante a mesa de abertura do encontro, intitulada “O Brasil que Comunica”.
“Esse encontro inaugura um ciclo. A partir das práticas do Propulsão Comunica, que é um dos produtos do Laboratório de Cultura Digital, damos início a uma experiência nacional que coloca a comunicação colaborativa no centro das políticas públicas de cultura”, completa.
Patricia de Almeida e Almeida, Desireé Tozzi, Maja Gabriel, Tarcisa Bera e Gabriella Gualberto – Cred Diangela Menegazzi
A conversa inicial também contou com a participação de Maja Gabriel, agente territorial de cultura em São José dos Campos, no interior de São Paulo. “Vivemos em um momento estratégico de construção da sociedade, em que a cultura e a comunicação são temas centrais para essa construção. Quem é esse Brasil que comunica? Precisamos ter o reconhecimento desses Brasis que comunicam, dessa pluralidade que compõe o povo brasileiro em diferentes territórios”, explica.
A Rede Comunica Cultura dá apoio à disseminação de informação da importância do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, um programa criado na gestão atual do Governo do Brasil pela necessidade de territorializar as políticas culturais. “O PNCC é uma iniciativa que surgiu do entendimento da cultura a partir da base comunitária territorial. Os Comitês Regionais de Cultura preparam os indivíduos para participar do Sistema Nacional de Cultura em sua plenitude e essa atuação com a Rede é fundamental, porque ela parte do sentido de sociedade, do que ela precisa e seus direitos”, disse Desireé Tozzi, diretora de Articulação Federativa do Programa Nacional dos Comitês de Cultura.
A mesa “O Brasil que Comunica” também contou com a diretora de planejamento da SECOM – Secretaria de Comunicação Social, Patrícia de Almeida e Almeida. “A soberania de um país também é representada pela sua cultura. Queremos que todo Brasil se reconheça e consiga ter voz e possibilidade de se encontrar. Quanto mais vozes, mais territórios e mais expressões culturais, mais conseguimos fazer por todos”.
Já Gabriella Gualberto, Chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social, ressaltou a importância do Encontro Nacional dos Comunicadores Populares de Cultura e da implantação da Rede Comunica Cultura. “A Rede dá oportunidade de chegar onde a comunicação institucional não chega. O trabalho dos agentes territoriais é de extrema importância, até porque ninguém ensina esse conhecimento do território, só sabe quem nasce lá. Vivemos em um país com uma ampla extensão, em que cada lugar tem sua peculiaridade, seu próprio jeito. A rede contribui para dar foco para diferentes vozes para o mesmo projeto”, comenta.














