O início da primavera, na última semana, traz mais do que flores e temperaturas amenas: sinaliza também uma mudança no comportamento de consumo e na forma como empreendedores da moda encaram a sazonalidade. Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a empresária Viviane Vale, à frente de sua marca há mais de 14 anos, inaugura uma nova fase com a abertura de uma loja no Centro da cidade e coleções que transitam entre praia, academia e cidade, um reflexo direto do conceito de “moda resort”.
Viviane é pioneira na região em levar a moda praia para além do calendário tradicional de janeiro e fevereiro. “No Rio tem dia que é inverno no calendário e verão na pele”, brinca. “Por isso, não dá para pensar na moda praia só como algo do verão. A gente trabalha o ano inteiro com peças que conversam com o estilo de vida da mulher real.”
A estratégia reflete um movimento mais amplo. De acordo com levantamento recente da plataforma global de tendências WGSN, divulgado em março, a categoria “moda resort”, que mescla elementos de praia, conforto e versatilidade, deve crescer 12% no mercado latino-americano até o fim de 2025. O consumidor pós-pandemia valoriza peças multifuncionais, tecidos tecnológicos e marcas com identidade cultural local, um comportamento ainda mais evidente no Brasil, onde o clima quente se estende por quase todo o ano.
Para manter sua marca relevante durante os meses mais amenos, Viviane Vale investe em coleções que integram moda praia, fitness e casual, incluindo tops estruturados, macacões fluidos e até peças com proteção UV, diferencial competitivo cada vez mais importante. “Quem vive da moda precisa pensar rápido, porque tudo muda: o tempo, a economia, os hábitos. A gente se adapta, mas sem perder a essência, que é a liberdade”, diz.
A nova loja no coração de Nova Iguaçu simboliza esse momento de expansão e de reafirmação do papel da Baixada Fluminense como polo criativo e empreendedor. A pesquisa “Consumo de Moda no Brasil”, realizada pela MindMiners em parceria com o Sebrae e lançada em fevereiro, mostra que 63% dos consumidores preferem marcas que têm produção local e apoiam pequenas empreendedoras, um caminho que Viviane trilha desde quando costurava os primeiros biquínis na própria sala de casa.
“Não é só sobre vender roupa. É sobre afirmar identidade, gerar renda e mostrar que dá para fazer moda com afeto e história”, conclui. “A moda praia é uma forma de contar para o mundo a alma, a cor e o corpo do Rio.”















