A pressão sobre Lupi aumentou de forma significativa após o escândalo dos descontos irregulares em benefícios do INSS, e a permanência do ministro da Previdência no cargo já é colocada em xeque dentro do próprio Palácio do Planalto. Segundo informações da Folha de S.Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou crescente insatisfação com a conduta de Carlos Lupi, e assessores próximos admitem que sua saída é uma possibilidade real.
A gestão de Lupi tem sido criticada por aliados e técnicos do governo pela falta de respostas efetivas diante da crise, que teve grande repercussão nacional e afetou a imagem da administração federal em um momento de recuperação de popularidade. Mesmo após sete dias da operação que revelou o esquema, o ministro não apresentou soluções consistentes — o que reforçou a irritação do presidente.
Como sinal do enfraquecimento de sua influência, a nomeação de Gilberto Waller Júnior como novo presidente do INSS foi conduzida diretamente pelo presidente em articulação com a AGU e a CGU, sem participação direta de Lupi. Waller, procurador federal com perfil técnico, recebeu carta branca para promover mudanças profundas na estrutura da autarquia. A decisão simbolizou um claro esvaziamento do poder do ministro.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, antecipou a decisão de Lula, indicando que a reformulação do INSS será conduzida com foco técnico e maior controle interno. A gestão de Carlos Lupi, por sua vez, segue sob pressão, especialmente após a demora para substituir Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, que só foi retirado após intervenção direta do presidente.
Durante audiência na Câmara dos Deputados, na última terça-feira (29), Lupi chegou a afirmar que o INSS não deveria ser responsável por gerir os vínculos entre aposentados e entidades que promovem descontos em folha. “É mais cômodo [para as associações] o desconto em folha do que ter que ir atrás do aposentado todo mês”, declarou o ministro. Ele acrescentou que o credenciamento dessas entidades não deveria ficar sob responsabilidade do INSS, mas reconheceu que se trata de uma opinião pessoal.
Embora não haja indícios de envolvimento direto de Lupi no esquema, o governo já considera sua possível demissão como um gesto político necessário para conter o desgaste. Lula passou a tratar do assunto em conversas reservadas com ministros e integrantes da equipe que acompanha as investigações.
O escândalo, revelado no dia 23 de abril durante a Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, investiga a atuação de sindicatos e associações que firmaram Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS. Esses acordos permitiam descontos diretos nos benefícios de aposentados e pensionistas mediante autorização dos titulares.
De acordo com os dados apurados até o momento, o valor total movimentado entre 2019 e 2024 chega a R$ 6,3 bilhões. Ainda está sendo calculado quanto deste montante foi desviado de maneira ilegal.
Nos bastidores do governo, a avaliação é de que a substituição de Carlos Lupi poderia ser estratégica para demonstrar que o Planalto está disposto a tomar medidas firmes diante de qualquer escândalo que afete os cofres públicos e o bem-estar dos beneficiários da Previdência.














