Um detento foi transferido para o presídio de segurança máxima de Bangu 1 após apresentar um alvará de soltura falsificado na tentativa de deixar o Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
O flagrante aconteceu na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, conhecida popularmente como Bangu 3-B. Durante o processo de checagem burocrática, os agentes identificaram inconsistências graves na documentação que tentava liberar o homem da prisão de forma ilegal.
Tentativa de fuga com alvará falso leva detento para presídio de segurança máxima
A tentativa de fraude mobilizou o setor de conferência da Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio de Janeiro. Todos os alvarás que chegam às unidades prisionais passam por uma triagem rígida antes da abertura de qualquer portão. No caso analisado, o documento trajava aparente autenticidade jurídica, mas não constava nos registros oficiais do Poder Judiciário.
Assim que os servidores detectaram o problema, o preso recebeu ordem imediata para retornar à custódia. Como sanção disciplinar e preventiva, a administração transferiu o envolvido para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, unidade conhecida como Bangu 1. Trata-se do presídio de segurança máxima do Estado, onde o interno agora cumpre período de isolamento total, com restrição severa de banho de sol e de visitas.
O Complexo de Gericinó concentra as maiores lideranças de facções criminosas fluminenses. A tentativa de fuga usando documentação falsificada não é caso isolado na história carcerária do Rio, mas o cruzamento digital de dados e as assinaturas eletrônicas têm dificultado esse tipo de manobra nas portarias das galerias.
O que já se sabe sobre o caso
A investigação preliminar da Polícia Penal aponta que o alvará fraudado foi protocolado no setor administrativo como se fosse uma ordem judicial regular expedida pela Justiça fluminense. Os agentes desconfiaram dos dados técnicos contidos no ofício e decidiram realizar uma checagem manual direta.
Ao acessar as plataformas do Tribunal de Justiça, os policiais constataram que nenhuma autoridade havia expedido aquela ordem de liberação. Não havia número de processo válido para aquela ordem, nem assinatura eletrônica reconhecida. O homem, que já cumpria pena regular em regime fechado, foi autuado e agora responderá por mais um delito, com acréscimo de tempo à sua pena.
Até a publicação desta reportagem, as autoridades não haviam divulgado oficialmente o nome do detento nem a facção à qual ele pertence, alegando segredo de apuração para apurar se servidores ou intermediários externos colaboraram com a entrega do papel adulterado.
Quem responde por isso
O caso mobilizou diferentes esferas do sistema de segurança pública e da fiscalização carcerária fluminense:
- Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen-RJ): O setor de inteligência da pasta conduz apuração interna para mapear quem protocolou ou entregou fisicamente o alvará falsificado no presídio Gabriel Castilho.
- Vara de Execuções Penais (VEP): Foi informada imediatamente sobre o episódio para suspender qualquer benefício penal e autorizar a manutenção do homem no regime mais duro de Gericinó.
- Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro: Uma delegacia da área investiga a autoria material da fraude, apurando a participação de pessoas que atuam fora dos muros da cadeia.
- Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ): Órgãos de fiscalização prisional foram notificados da ocorrência para acompanhamento formal das sanções disciplinares.
Como fica a rotina no Complexo de Gericinó
O caso gerou um endurecimento na fiscalização de entrada e saída em todo o Complexo de Gericinó. As visitas de familiares, que costumam movimentar a Estrada dos Teixeiras e o entorno de Bangu, continuam com calendário regular, mas as filas de revista física e verificação de carteirinhas de visitante ficaram mais lentas.
Para quem tem parentes cumprindo pena na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, a recomendação é checar a situação processual diretamente com a Defensoria Pública ou com advogados habilitados antes dos dias de visita, já que o pavilhão do envolvido passou por revistas operacionais para conferência de celas.
Os advogados que atuam na defesa de detentos também enfrentam procedimentos mais detalhados na conferência de mandados e notificações. A administração do complexo determinou checagem em dobro com o cartório da Vara de Execuções Penais antes de qualquer liberação física nos portões centrais.
Como denunciar fraudes no sistema penal
Familiares de detentos ou cidadãos que tenham informações sobre esquemas de falsificação de documentos, venda de facilidades ou corrupção no entorno de presídios podem recorrer aos canais anônimos de atendimento:
- Disque Denúncia: O telefone (21) 2253-1177 funciona 24 horas por dia, com sigilo total garantido, aceitando denúncias sobre criminosos e tentativas de fuga.
- Ouvidoria da Seppen-RJ: Reclamações sobre conduta funcional e fraudes no sistema penitenciário podem ser feitas pelo telefone (21) 2334-6100 ou pelo portal oficial do Governo do Estado do Rio.
- Plantão Judiciário e Vara de Execuções Penais: Fica localizada no Fórum Central, na Rua Dom Manuel, s/nº, Praça XV, Centro do Rio, atendendo das 11h às 18h em dias úteis para regularização de mandados e alvarás.















