Presidente da Transunião, investigada por lavar dinheiro do PCC, tem ligação com operador financeiro preso na Operação Vérnix
A Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, revelou uma conexão surpreendente entre a cúpula da empresa de ônibus Transunião e o suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Investigações apontam que pessoas ligadas à Transunião mantinham vínculos com Everton de Souza, o “Player”, um dos principais operadores financeiros da facção criminosa, preso na Operação Vérnix.
Essa nova fase da investigação aprofunda o cerco contra a estrutura financeira do PCC, buscando rastrear como empresas formalmente constituídas são usadas para ocultar e reinserir recursos ilícitos na economia. Conforme informações divulgadas pelas autoridades, a ligação entre a Transunião e o operador financeiro foi identificada através do cruzamento de dados de operações policiais distintas.
Conexão com Operador Financeiro do PCC
A ligação entre a Transunião e Everton de Souza, conhecido como “Player”, foi descoberta durante o cruzamento de informações entre a Operação Última Parada e a Operação Vérnix. Esta última resultou na prisão de “Player”, da influenciadora Deolane Bezerra e outros investigados ligados ao núcleo financeiro do PCC.
De acordo com o inquérito policial, a conexão se tornou evidente pela transferência de um veículo de luxo para Lourival de França Monário, o “Orelha”, atual presidente da Transunião e um dos alvos da Operação Última Parada. Para os investigadores, essa transferência reforça a hipótese de que Everton exercia um papel estratégico na administração dos recursos financeiros da organização criminosa.
O Ministério Público, na denúncia da Operação Vérnix, apontou “Player” como responsável por supervisionar prestações de contas e controlar o fluxo financeiro de uma estrutura utilizada para ocultar recursos ilícitos e reinseri-los na economia formal por meio de uma transportadora no interior paulista. A nova investigação sugere que a Transunião pode estar sendo instrumentalizada para essa finalidade.
Quem Foi Preso na Operação Última Parada
Até o momento, três pessoas foram detidas na Operação Última Parada. Entre elas estão o vereador de São Paulo, Senival Moura (PT), Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, apontado como diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”, identificado como motorista e homem de confiança do parlamentar.
Esses indivíduos são investigados por suposta participação na estrutura criminosa sob apuração. A Justiça também expediu mandados de prisão contra outros dois investigados considerados integrantes do núcleo de comando da empresa.
Outros Alvos da Investigação
Além dos presos, Lourival Monário, o “Orelha”, presidente da Transunião, é um dos alvos considerados pela investigação como pessoa indicada pelo PCC para garantir o escoamento de recursos provenientes de atividades ilícitas. Outro alvo é Leonel Moreira Martins, o “Cabeça Branca”, descrito como supervisor operacional e interlocutor direto da facção dentro da empresa.
Os investigados respondem, em tese, por organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas. A operação mobilizou agentes do Deic e do Gaeco, com a expedição de cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão em São Paulo e em Extrema, Minas Gerais.
Transunião Opera 51 Linhas na Zona Leste de SP
A Transunião é responsável pela operação de 51 linhas municipais e transporta diariamente cerca de 389 mil passageiros, principalmente na Zona Leste de São Paulo. Dada a relevância do serviço, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os diretores e administradores da empresa.
A SPTrans foi comunicada da decisão judicial e deverá adotar medidas para garantir a continuidade do serviço, considerado essencial. Entre as alternativas, estão a intervenção temporária na empresa ou a redistribuição das linhas para outras concessionárias.
A investigação busca aprofundar a análise do fluxo financeiro envolvendo a Transunião e verificar o alcance da suposta participação de empresários e administradores na estrutura de lavagem de dinheiro atribuída à facção criminosa.














