Prefeitura do Rio mantém abrigo sigiloso para mulheres vítimas de violência em risco de morte

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O abrigo sigiloso para mulheres vítimas de violência mantido pela Prefeitura do Rio tornou-se refúgio para mulheres que vivem sob ameaça de morte na capital fluminense. Em pleno Natal, nove delas passaram a noite longe da família e dos filhos, mas em segurança, após escaparem de tentativas de feminicídio cometidas por seus companheiros.

O local, administrado pela Secretaria Municipal da Mulher, funciona em endereço protegido para impedir qualquer tipo de rastreamento. A maioria das acolhidas deixou suas casas às pressas, apenas com a roupa do corpo, depois de episódios de agressão extrema e perseguição.

As histórias revelam uma realidade em que, em áreas dominadas pelo crime organizado, a Lei Maria da Penha muitas vezes não consegue garantir proteção imediata. Todas relataram ter procurado a polícia, mas afirmam que os agressores continuaram em liberdade, o que aumentou o risco de novos ataques.

— Antes de procurar a polícia, temos que procurar a boca de fumo. Eu fui pedir para os traficantes pararem meu esposo porque ele iria me matar. Mesmo machucada, fui presa num porão junto com ele. Passei a noite toda sendo chutada. Fugi antes que ele me matasse — relata uma mulher de 43 anos, acolhida no abrigo.

Outra vítima, de 34 anos, contou que a dependência financeira e uma deficiência visual agravaram a situação de violência. Sem documentos e sem dinheiro, ela chegou ao local em estado de choque.

— Ele puxou um facão que amolava quase todo dia e tentou me matar. Cheguei aqui só com a roupa do corpo. Disse que, se eu quisesse ir, era para correr muito, porque, se me pegasse, me mataria — conta.

Além da proteção física, o abrigo oferece acompanhamento psicológico e orientação jurídica. A equipe trabalha para estabilizar o trauma, resgatar a autoestima e garantir que as mulheres não percam direitos sobre filhos e patrimônio ao se afastarem do lar.

— Nosso primeiro trabalho é tirar o peso da culpa. A violência nunca é responsabilidade da vítima — explica uma psicóloga da unidade, que tem a identidade preservada.

No apoio jurídico, muitas chegam sem documentos, destruídos pelos próprios agressores como forma de controle.

— Elas precisam saber que têm direito à lei, ao divórcio e à paz. O afastamento não pode significar perda de direitos — afirma uma advogada que atua no abrigo.

Dados do Instituto de Segurança Pública indicam que, entre janeiro e novembro deste ano, 97 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado e 348 sofreram tentativas. Apesar de menores que os números do ano anterior, os dados seguem alarmantes.

Após o período de acolhimento, as mulheres recebem capacitação profissional em áreas como costura, manicure e design de sobrancelhas, com o objetivo de garantir autonomia financeira ao deixarem o abrigo. O abrigo sigiloso para mulheres vítimas de violência segue como uma das últimas barreiras entre a ameaça e a possibilidade de recomeço.

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