Prefeitura derruba castelo de areia da Praia do Pepê e gera repercussão

Castelo de areia da Praia do Pepê

O castelo de areia da Praia do Pepê foi demolido pela Prefeitura do Rio nesta segunda-feira (29), após avaliação técnica que apontou risco de desabamento da estrutura. A ação gerou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre uso do espaço público na cidade.

Presente há mais de 30 anos na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, a construção era considerada uma marca registrada da região, localizada próxima ao Posto 2. Além de atrair curiosos, o local também servia como moradia do artista plástico Márcio Mizael Matolas, responsável pela escultura.

De acordo com a subprefeitura da Barra, a decisão foi tomada após denúncias e vistoria realizada pela Defesa Civil Municipal. Técnicos identificaram que a estrutura não possuía elementos que garantissem a segurança interna, o que poderia resultar em instabilidade e até desabamento.

Imagens que circularam nas redes sociais mostram o momento da demolição, realizada por equipes da Prefeitura com o uso de pás. Em vídeos, o artista aparece no local durante a ação, visivelmente abalado, pedindo ajuda e relatando não ter para onde ir.

“Esse é meu trabalho. Trabalhei a vida toda aqui, me dediquei à cultura, à arte, e agora estão destruindo. Como que eu faço aqui agora? Me ajuda aí, gente, por favor. Porque eu não sei o que vou fazer. Está eu e meu cachorro. Para onde eu vou? Onde vou ficar? A Prefeitura vai me jogar no lixo assim? Sempre trabalhei com arte. Eu vivo aqui há um tempão, esse aqui é meu trabalho e onde eu moro.”

Segundo a Prefeitura, o artista havia sido previamente informado sobre a demolição e teve a oportunidade de retirar seus pertences antes da ação. Em nota, a administração municipal também afirmou que a Secretaria Municipal de Assistência Social ofereceu acolhimento institucional, proposta que não foi aceita.

A remoção da estrutura levantou discussões sobre a preservação de manifestações artísticas na cidade e os limites entre ocupação irregular e segurança pública.

E enquanto o debate cresce nas redes e nas ruas, a cidade volta a se perguntar: onde termina o risco — e começa a memória afetiva de um lugar?

Limpatech