Praça Onze Maravilha transforma área do Sambódromo em polo cultural afro-brasileiro

Praça Onze Maravilha

O Praça Onze Maravilha transforma a área do Sambódromo em um novo polo cultural afro-brasileiro, segundo anúncio feito pela Prefeitura do Rio na manhã desta quinta-feira (20), durante cerimônia na quadra da Estácio de Sá. O projeto, que integra uma série de ações previstas até 2032, inclui a demolição do viaduto 31 de Março, a reconstrução da Praça Onze e a criação da Biblioteca dos Saberes, um equipamento cultural dedicado à valorização dos conhecimentos afro-brasileiros, assinado pelo arquiteto Francis Kéré, vencedor do prêmio Pritzker.

A prefeitura afirmou que, inspirado no modelo do Porto Maravilha, o projeto busca revitalizar um território marcado pela memória negra e fortalecer a conexão cultural e urbana da região, que reúne o Cais do Valongo, a Pedra do Sal, a Praça Onze e o Sambódromo. O investimento estimado é de R$ 1,75 bilhão por meio de parceria público-privada, sem uso direto de recursos públicos.

O prefeito Eduardo Paes e o vice Eduardo Cavaliere apresentaram o plano ao lado de artistas e personalidades da cultura carioca, como Conceição Evaristo, Milton Cunha, Mauro Diniz e Hélio de la Peña. A escritora, que também participou do evento, destacou sua expectativa para a Biblioteca dos Saberes, defendendo que o espaço seja um “ninho de acolhimento”, capaz de unir memória, aprendizado e liberdade criativa.

O projeto prevê ainda a criação do Boulevard do Samba, que surgirá com a remoção total do viaduto 31 de Março, integrando bairros e ampliando o corredor cultural da região. O arquiteto Rodrigo Azevedo, responsável pelo projeto urbanístico, afirmou que a proposta busca devolver protagonismo à área central ao estimular moradias, espaços de convivência e circulação mais eficiente.

A Biblioteca dos Saberes, que terá aproximadamente 40 mil metros quadrados — quase o dobro do Museu do Amanhã — será o ponto de ligação entre a Praça Onze e o monumento a Zumbi dos Palmares. O prédio terá áreas para formação, eventos, leitura e exposições, com referências arquitetônicas associadas às favelas e à ancestralidade africana.

Outra iniciativa anunciada é o Rio-Áfricas, um espaço dedicado à celebração das culturas da diáspora africana. Além disso, o Parque do Porto, projetado pelo arquiteto Duda Porto, criará uma área de lazer sobre as águas da Baía de Guanabara, ao lado do Museu do Amanhã, reforçando a integração entre cidade e natureza.

Após a apresentação, o público acompanhou o Cortejo Tia Ciata, tradição do dia 20 de novembro, que percorreu a quadra da Estácio, passou pela Sapucaí e terminou no monumento a Zumbi dos Palmares, celebrando a história e a resistência negra no Rio.

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