Portabilidade do consignado para trabalhador do setor privado, já pode ser feita pelo app da carteira digital

app da carteira digital

A portabilidade do consignado passou a ser realizada, a partir desta sexta-feira (7), diretamente pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital. Com isso, trabalhadores do setor privado que possuem carteira assinada agora podem trocar de banco no empréstimo consignado sem precisar ir até uma agência física, trazendo mais agilidade e autonomia para renegociações.

Antes, a portabilidade já era permitida, mas exigia contato direto com a instituição financeira. Agora, com a digitalização do processo, o procedimento pode ser feito pelo celular, inclusive para contratos antigos firmados antes do novo modelo. A medida é parte de um esforço do governo federal para popularizar o Crédito do Trabalhador, o novo formato de consignado lançado em março.

Crédito do Trabalhador e os impactos esperados

Com o novo sistema, todos os trabalhadores com carteira assinada — cerca de 46 milhões de brasileiros — passam a ter acesso ao consignado, que antes era restrito a empregados de empresas com convênio com os bancos. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, até o final de maio já foram liberados R$ 13 bilhões para mais de 2,3 milhões de pessoas.

A possibilidade de portabilidade tende a aquecer a concorrência entre instituições financeiras, o que pode beneficiar o trabalhador com melhores taxas e condições de crédito. Apesar de o programa ainda estar em fase de implantação, a expectativa é de que ele contribua também para a redução dos juros cobrados, que começaram acima de 4% ao mês e já caíram para 3,43% no fim de maio.

Juros ainda são desafio, mas cenário é promissor

Dados do Banco Central indicam que a taxa média anual do consignado privado está em torno de 59%, o que representa uma alta em relação ao modelo antigo. No entanto, autoridades afirmam que a comparação direta não é justa, já que o novo sistema abrange uma variedade muito maior de empregadores e perfis de trabalhadores, incluindo empresas menores e públicos com maior risco de inadimplência.

O Ministério do Trabalho reforça que as taxas devem cair com a consolidação do modelo e com a futura regulamentação do uso da multa do FGTS como garantia do empréstimo, prevista para julho. Para o ministro Luiz Marinho, o programa representa uma transformação no mercado de crédito e deve seguir em aperfeiçoamento.

Perfil dos beneficiados e expectativa do governo

Atualmente, quase metade dos recursos liberados por meio do Crédito do Trabalhador — cerca de 47,1% — é destinada a pessoas que recebem até quatro salários mínimos. Já o modelo antigo privilegiava quem ganhava mais: 68% do crédito era voltado a quem recebia acima de oito salários mínimos.

Com a popularização do aplicativo e a simplificação do processo de portabilidade do consignado, o governo espera alcançar mais trabalhadores, promovendo acesso ao crédito com melhores condições e contribuindo para o alívio das dívidas de milhões de brasileiros.

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