O caso do policial preso na morte de empresário na Pavuna ganhou um novo desdobramento após a revelação de que um dos agentes envolvidos integrava uma comissão responsável por fiscalizar contratos de câmeras corporais da Polícia Militar.
O 3º sargento Rafael Assunção Marinho, de 43 anos, foi nomeado em 2025 para participar de um grupo encarregado de acompanhar a execução de contratos firmados pela corporação com empresas responsáveis por sistemas de monitoramento, incluindo câmeras operacionais portáteis.
A informação surge no momento em que imagens captadas por esses equipamentos passaram a ser fundamentais para a investigação da morte do empresário Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, ocorrida na Pavuna, Zona Norte do Rio.
Segundo documentos oficiais, o sargento fazia parte da comissão que fiscalizava o contrato nº 111/2021, firmado com a empresa L8 & Group S/A, integrante do consórcio OX21. O acordo envolve serviços relacionados à captação, armazenamento e gestão de evidências digitais, além do fornecimento de câmeras corporais.
As imagens divulgadas mostram que o empresário foi monitorado por mais de uma hora antes da abordagem. De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar, a vigilância começou por volta de 1h53, com apoio de um informante que repassava informações em tempo real.
Nas gravações, os agentes aparecem trocando informações sobre o trajeto do veículo e se posicionando estrategicamente para interceptar a vítima. Em determinado momento, um dos policiais alerta sobre a aproximação do carro.
Logo depois, um dos agentes avança a pé e realiza diversos disparos contra o veículo. O empresário foi atingido na cabeça e morreu ainda no local.
As imagens não mostram qualquer ordem de parada, bloqueio ou tentativa formal de abordagem, o que contraria a versão inicial apresentada pelos policiais, que alegaram legítima defesa após suposta tentativa de atropelamento.
Outro trecho das gravações também indica que, após os disparos, um dos agentes orienta o colega sobre o que deveria ser relatado oficialmente.
“A gente fala que na tentativa de abordagem o elemento tentou jogar o carro contra a guarnição”, diz um dos policiais no vídeo.
Além do sargento, o cabo Rodrigo da Silva Alves também foi preso. Ele é citado em um processo relacionado à Lei Maria da Penha, que tramita no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, envolvendo acusações de violência doméstica.
O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital, com acompanhamento do Ministério Público, que busca esclarecer as circunstâncias da morte e a motivação da ação policial.
As novas informações ampliam o debate sobre o uso de câmeras corporais e a conduta de agentes em operações, especialmente diante de imagens que contradizem versões apresentadas inicialmente.














