Policial civil vira réu por morte de assessor após briga de trânsito

O assessor parlamentar Marcelo dos Anjos Abitan da Silva e o policial civil Raphael Pinto Ferreira Gedeão

A Justiça aceitou a denúncia contra o policial civil Raphael Pinto Ferreira Gedeão, que agora é réu pela morte do assessor parlamentar e empresário Marcelo dos Anjos Abitan da Silva. O crime ocorreu em janeiro deste ano, após uma discussão de trânsito na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A juíza Lúcia Glioche, da 4ª Vara Criminal do Rio, será responsável por decidir se o acusado irá ou não a júri popular. Raphael está preso desde janeiro e se entregou à polícia dois dias após o crime, registrado por câmeras de segurança nas imediações de um apart-hotel.

Conforme as investigações, a discussão iniciou-se quando o veículo de Raphael impedia a entrada de Marcelo na garagem do prédio onde ambos estavam hospedados. Durante a briga, o policial efetuou três disparos contra o assessor: o primeiro atingiu o peito da vítima e, quando Marcelo tentou fugir, outros dois tiros foram disparados pelas costas.

O caso ganhou grande repercussão pela brutalidade da ação. Após o crime, Raphael fugiu do local derrubando a cancela do estacionamento com o carro. À época, ele atuava na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

A Polícia Civil concluiu o inquérito considerando o caso como legítima defesa putativa — quando o autor acredita estar se defendendo, mesmo que essa percepção não corresponda à realidade. Segundo o relatório, “o erro é justificável diante da postura agressiva da vítima e dos movimentos corporais que simulavam o saque de uma arma.”

O Ministério Público, no entanto, discordou da interpretação e denunciou o policial civil por homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, sem dar chance de defesa à vítima e com uso de arma de fogo.

“O crime foi cometido por motivo fútil, eis que o denunciado, após obstruir a entrada da garagem com seu veículo e desrespeitar o direito da vítima de acessar sua residência, executou-a com tiros após breve discussão,” afirmaram os promotores na peça de acusação.

Ainda segundo o MP, “o carro utilizado pelo denunciado não era cadastrado no hotel, e ele o deixou parado e trancado por mais de dez minutos, impedindo a entrada de outros hóspedes.”

Até que a Justiça decida sobre o júri popular, Raphael seguirá preso preventivamente por determinação judicial.

A defesa do réu foi procurada, mas preferiu não se manifestar.

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