Policial civil denunciado por matar passageira no Pechincha tem prisão preventiva pedida

Frede Uilson Souza de Jesus

O policial civil denunciado por matar passageira de um carro de aplicativo no Pechincha, na Zona Sudoeste do Rio, teve a prisão preventiva pedida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Frede Uilson Souza de Jesus foi denunciado, nesta terça-feira (19), pela morte da designer de sobrancelhas Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, de 28 anos, baleada no dia 7 de maio.

De acordo com a denúncia da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro, o crime aconteceu após uma discussão de trânsito. O policial teria se desentendido com o motorista de aplicativo que transportava Thamires depois de uma manobra que bloqueou a passagem do carro em que ele estava.

Segundo o MPRJ, após o desentendimento, Frede atirou na direção do veículo de aplicativo. O disparo atingiu Thamires, que estava sentada no banco traseiro. A vítima foi socorrida e levada para a Unidade de Pronto Atendimento da Cidade de Deus, mas não resistiu aos ferimentos.

Na denúncia, o Ministério Público afirma que o crime foi cometido por motivo fútil, em razão de uma discussão no trânsito, e que a vítima não teve chance de defesa. O órgão também destacou que o disparo foi feito em via pública movimentada, colocando outras pessoas em risco.

A Promotoria pediu que o policial civil seja julgado pelo Tribunal do Júri. Além disso, solicitou que a prisão temporária, em vigor desde o dia 8 de maio, seja transformada em prisão preventiva como forma de garantir a ordem pública.

O MPRJ também pediu a fixação de uma indenização mínima de R$ 100 mil para a família de Thamires. A vítima deixou marido e duas filhas, de 4 e 6 anos.

Frede Uilson Souza de Jesus está preso temporariamente desde o dia seguinte ao crime, quando a Justiça expediu o mandado de prisão. Na decisão, a juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Rio, afirmou que o agente apresentava comportamento agressivo e poderia oferecer risco à ordem pública.

A magistrada também considerou o fato de o investigado ser policial civil e estar lotado na 29ª DP, em Madureira. Segundo a decisão, a função poderia dar ao agente acesso a redes de informação capazes de prejudicar a coleta de provas ou intimidar testemunhas e vítimas indiretas.

As investigações da Delegacia de Homicídios da Capital apontam que os motoristas dos dois veículos teriam se envolvido em um desentendimento no trânsito. No entanto, o motorista de aplicativo afirmou em depoimento que não chegou a abrir o vidro do carro para discutir com o policial.

Ainda segundo o relato do motorista, ele percebeu o disparo pelo barulho no momento em que arrancava com o veículo. Em seguida, Thamires avisou que havia sido atingida.

Após o caso, a Polícia Civil afastou Frede de suas funções e instaurou um procedimento interno para apurar a conduta do agente. O policial estava lotado na 29ª DP, em Madureira.

Thamires foi sepultada no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, no mesmo dia do aniversário da filha caçula. A morte causou comoção entre familiares e amigos, que cobram justiça pelo crime.

O caso segue sob investigação, enquanto o pedido de prisão preventiva e a denúncia apresentada pelo Ministério Público serão analisados pela Justiça.

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