Os policiais mortos em megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha receberam uma homenagem emocionante no Maracanã, pouco antes do início da partida entre Fluminense e Ceará, válida pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, nesta quarta-feira (29). O tributo foi acompanhado por aplausos das arquibancadas, enquanto as imagens dos quatro agentes foram exibidas nos telões do estádio.
Foram lembrados Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, comissário da 53ª DP (Mesquita); Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP (Pavuna); Cleiton Serafim Gonçalves, sargento do Bope, de 42 anos; e Heber Carvalho da Fonseca, também do Bope, de 39 anos. Todos perderam a vida durante os confrontos ocorridos na megaoperação que mobilizou forças policiais nas comunidades da Zona Norte do Rio.
O pedido pela homenagem partiu da própria corporação e não teve relação com os clubes de coração dos agentes. Rodrigo Cabral, por exemplo, era torcedor do Botafogo e costumava frequentar o estádio Nilton Santos com a esposa e a filha. Nas redes sociais, aparecia sorridente, em momentos de lazer e viagens em família, o que reforçou a comoção entre amigos e colegas de profissão.
Durante a cerimônia simbólica no Maracanã, o ambiente foi marcado pelo silêncio e pelo respeito. Assim que os nomes e imagens dos policiais foram exibidos, torcedores e jogadores se levantaram, batendo palmas em sinal de solidariedade. O gesto foi visto como um reconhecimento àqueles que perderam a vida em serviço.
A homenagem ocorreu em meio ao luto que tomou conta do estado após a operação, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. Ao longo da madrugada e manhã desta quarta-feira, cerca de 60 corpos foram levados até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha. Os cadáveres foram retirados da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, palco dos confrontos mais intensos entre policiais e traficantes.
Com o avanço das investigações, o número total de mortos na ação subiu para 119, segundo as autoridades. O governador Cláudio Castro afirmou que ainda não é possível confirmar o número exato, já que a contagem oficial ocorre apenas após o encaminhamento dos corpos ao Instituto Médico-Legal (IML) ou a hospitais da rede pública.
A tragédia, que reacendeu o debate sobre a violência urbana e a política de segurança do estado, teve no Maracanã um momento de união e respeito, transformando o estádio em um espaço simbólico de homenagem e luto coletivo.














