Uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão mobilizou cerca de 2.500 policiais civis e militares nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (28). A ação, que conta com apoio do Ministério Público, tem como objetivo prender lideranças do Comando Vermelho e conter a expansão territorial da facção no Rio de Janeiro e em outros estados.
Desde o início da incursão, moradores relatam um intenso tiroteio e barricadas em chamas nas principais vias das comunidades. Logo nas primeiras horas, dois homens foram presos e um fuzil apreendido na Rua Uranos. Outros sete suspeitos também foram detidos durante as buscas. Em resposta à operação, criminosos chegaram a lançar bombas de drones sobre o Complexo da Penha, em tentativa de retaliação.
As localidades envolvidas somam 26 comunidades, e o clima é de apreensão. Moradores relataram janelas de apartamentos atingidas por tiros, inclusive na sede do Projeto Cultural Arte Transformadora, na Penha. As redes sociais foram tomadas por vídeos que mostram o som dos disparos e barricadas em chamas.
A operação, chamada Contenção, é resultado de mais de um ano de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Segundo o Governo do Estado, o objetivo é cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra cerca de 100 alvos ligados à facção. Pelo menos 30 deles seriam do Pará, o que demonstra a extensão do braço interestadual do grupo criminoso.
Para garantir a execução da ação, foram utilizados drones, dois helicópteros, 32 blindados terrestres e 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM, além de ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate.
O governador Cláudio Castro destacou que a operação é uma demonstração de força do Estado. “Estamos atuando com força máxima e de forma integrada, para deixar claro que quem exerce o poder é o Estado. Os verdadeiros donos desses territórios são os cidadãos de bem. Seguiremos firmes na luta contra o crime organizado”, declarou.
Os impactos da operação também atingiram o funcionamento de serviços públicos. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 26 escolas no Complexo do Alemão e 17 na Penha suspenderam as aulas. Unidades de saúde, incluindo cinco clínicas da família, também interromperam temporariamente o atendimento externo por medida de segurança.














