Polícia procura suspeito de vender ingressos falsos de cortesias de camarotes na Sapucaí

Matheus Araújo e Silva

Dezenas de pessoas alegam que foram vítimas de um golpe ao comprarem ingressos falsos para camarotes na Sapucaí para os desfiles do carnaval. O prejuízo registrado até a publicação desta reportagem é de R$ 132,4 mil. O autor do golpe, segundo as denúncias, é Matheus Araújo e Silva.

Até o final da tarde de segunda-feira (10), 23 vítimas fizeram registros de ocorrência em delegacias do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana. Todas afirmam que não conseguem mais contato com Matheus Araújo desde o sábado (8).

Nas conversas com as vítimas, ele afirmava que trabalhava na Assembleia Legislativa do Rio e que os camarotes eram uma cortesia para quem trabalhava na Alerj.

No entanto, o Diário Oficial mostra que Matheus entrou na Alerj em 2021 e foi exonerado em 2023.

Em áudios enviados às vítimas do golpe, ele afirma que tinha cortesias para dois camarotes: Nosso Camarote e Camisa 10.

“Como você sabe, eu trabalho no Estado, eu trabalho na Alerj, né? E, como você sabe, o maior patrocinador do Carnaval do Rio é o Governo. Todo ano a gente recebe direito de por na lista nomes. A gente tem entrada para os dois: dia 28 eu quero ir ao Nosso Camarote, no dia 1 eu quero ir no Camisa 10, no dia 2 eu quero ir no Nosso Camarote de novo. Você escolhe, tá ligado?”

Amigos e familiares relataram que Matheus estaria viciado em apostas, e teria realizado todo o esquema para pagar dívidas relacionadas ao vício.

Os depoimentos indicam que Matheus contava às vítimas que trabalhava na Alerj e oferecia camarotes para assistir aos desfiles, com valores variando entre R$ 200 e R$ 1 mil.

Uma das vítimas, que conhece Matheus, disse que acreditou na oferta dele e repassou as informações a vários amigos. Em confiança, dezenas de pessoas fizeram Pix para essa pessoa, que passou mais de R$ 31 mil para Matheus.

“Até sexta-feira, ele estava mandando mensagens até à tarde, confirmando tudo, e todo mundo aguardando o e-mail com o ingresso chegar. À noite, as minhas mensagens não chegavam mais para ele. Eu ligava e não completava a ligação”, disse a vítima, que pediu para não ser identificada.

As vítimas do golpe se juntaram em um grupo de whatsapp que já tinha 100 pessoas até a tarde de segunda-feira.

Algumas das vítimas contaram que chegaram a conversar com a mãe de Matheus, Monike, sobre toda a situação.

A mãe de Matheus disse que conversou com algumas pessoas para tentar honrar o pagamento das dívidas, e que não sabia onde está o filho. Ela ainda relatou ter recebido ameaças.

Procurada, a Alerj não se manifestou.

Fonte: G1

 

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