A Polícia Civil prendeu no Rio de Janeiro o médico Adolfo Antônio Pires, condenado por chefiar um esquema de laudos falsos para maconha medicinal. A prisão foi cumprida por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) na manhã de quinta-feira (24), após levantamentos de inteligência que identificaram o paradeiro do condenado.
Adolfo foi sentenciado em primeira instância a 13 anos de prisão por envolvimento na falsificação de documentos médicos usados para liberar irregularmente o cultivo de maconha sob a justificativa de uso terapêutico. A sentença havia sido proferida em 9 de outubro de 2024, mas o médico permanecia em liberdade recorrendo da decisão.
De acordo com as investigações, o profissional usava sua função para sustentar um esquema criminoso que utilizava a medicina como fachada para atividades ilícitas. Ele emitia laudos falsos com diagnósticos de doenças graves, permitindo que indivíduos obtivessem judicialmente a autorização para plantar grandes quantidades de maconha em casa. Na prática, as autorizações mascaravam o comércio ilegal da droga e geravam lucro indevido para o grupo.
Durante a apuração, a Polícia Civil constatou que o médico também praticava extorsão. Ele ligava para pacientes e familiares beneficiados por habeas corpus obtidos por meio dos laudos fraudulentos, exigindo pagamentos sob ameaças veladas. As vítimas temiam perder as autorizações judiciais e cederam à pressão.
O esquema foi desvendado em 2023, durante a Operação Seeds, realizada pela 14ª DP (Leblon). Na ocasião, Adolfo foi preso ao lado da esposa, Pérola Katarine de Castro, responsável pela parte financeira da quadrilha; do advogado criminalista Patrick Rosa Barreto; e do biólogo André Vicente Souza de Freitas. O grupo oferecia um “pacote” completo para o plantio de skunk — uma variedade mais potente da maconha —, incluindo a emissão do laudo médico, o pedido de habeas corpus e a estrutura para o cultivo.
Os valores cobrados variavam de R$ 3 mil a R$ 50 mil por cliente. A investigação revelou ainda que nenhum dos pacientes atendidos possuía doenças que justificassem o uso da cannabis medicinal. Segundo a Lei Antidrogas, o plantio de maconha é proibido, sendo permitida apenas a produção com autorização judicial específica e devidamente comprovada para fins terapêuticos.
Ao longo da carreira, Adolfo Antônio Pires trabalhou em sete unidades públicas de saúde — entre elas, a Maternidade Fernando Magalhães e as UPAs de Manguinhos, do Alemão e da Ilha do Governador. Também atuou nos hospitais estaduais Heloneida Studart e Adão Pereira Nunes, além do Hospital Federal Cardoso Fontes. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, seu último vínculo com a rede pública municipal terminou em novembro de 2021.
Com a prisão desta semana, Adolfo foi encaminhado para o sistema prisional do Rio, onde cumprirá pena pelos crimes de falsificação de documentos, tráfico de influência e extorsão.














