Polícia prende motorista de van escolar investigado por assédio sexual de crianças

Marcelo Tadeu Moreira Iglesias

A Polícia Civil prendeu, nesta sexta-feira (16), o motorista de transporte escolar investigado por assediar sexual de crianças entre 7 e 13 anos no Méier, Zona Norte do Rio. Contra Marcelo Tadeu Moreira Iglesias, agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) cumpriram um mandado de prisão preventiva durante a operação “Caminhos Seguros”.

A especializada conseguiu na Justiça do Rio a quebra do sigilo de dados do celular do motorista durante as investigações. Segundo as denúncias, divulgadas pelo DIA no último dia 7, ele obrigava crianças a assistir vídeos e fotos pornográficas. Os alunos, a maioria meninas, relatam que o homem os incentivava a trocar beijos e carícias entre eles durante o trajeto. Marcelo atendia, pelo menos, três escolas particulares no Méier. 

Os crimes, conforme as vítimas, eram cometidos dentro da van escolar. Em depoimento, uma menina de 10 anos disse que o motorista a questionou sobre beijar na boca e, diante da negativa, teria dito: “Você não sabe o que está perdendo. Na curva você senta no colo do seu amiguinho”. Outra criança relatou ter sido convidada para ir à casa dele beber água gelada, mas recusou.

A mãe de uma das alunas afirmou ao DIA que soube dos abusos no dia 1º de maio por meio da mãe de uma colega. “A mãe dessa criança me ligou. A menina contou que a minha filha havia dito que o tio a obrigou a assistir vídeos pornográficos no celular dela. Minha filha começou a chorar quando eu fui conversar com ela. Ela dizia que tinha medo de eu brigar, dizia que beijou na boca da amiguinha porque o ‘tio’ mandou e que, se alguém soubesse, iam brigar com ela”, desabafou a mãe.

Marcelo foi encaminhado para o sistema prisional e está à disposição da Justiça.

Divergência em depoimentos

O motorista nega ter cometido os crimes relatados pelos alunos e afirma trabalhar há dez anos com a van, sem nunca ter enfrentado problemas desse tipo. Os relatos das crianças, porém, são bem semelhantes.

Em um áudio enviado a responsáveis de alunos que não participaram das denúncias, o investigado pede que eles prestem depoimento a seu favor na delegacia especializada. Em determinado momento da gravação, ele afirma que trabalhava com o apoio de três monitores. “Quero a presença dos meus amigos, dos pais e de todos aqueles que acreditam em mim. Todos que viram como eu trabalhava, carro com três monitores legalizados. Eu quis fazer um trabalho diferenciado”, diz o homem no áudio.

No entanto, no último dia 5, uma monitora que trabalhava com o motorista há dois meses declarou, em depoimento à DCAV, que foi contratada para atuar com outra profissional, em dois turnos. Porém, ao ser questionada pelo delegado, ela admitiu que, na prática, trabalhava sozinha com o motorista.

Ainda segundo a funcionária, ela precisava se ausentar duas vezes por semana para realizar tratamentos de saúde e, nesses dias, o motorista buscava as crianças sozinho. “No áudio, ele disse que tinha três auxiliares, mas os depoimentos mostram que havia apenas uma monitora em regime parcial”, afirmou o advogado que representa algumas das famílias denunciantes.

Fonte: Jornal o Dia

Limpatech