A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira um homem apontado como o principal captador clandestino de passageiros no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. A ação ocorreu no setor de desembarque internacional, após uma extorsão contra turistas chilenos.
Esquema de extorsão contra passageiros no Galeão
Identificado pelos agentes como William dos Santos Xavier, conhecido pelo apelido de Júnior Baiano, o suspeito atuava há mais de 15 anos nos saguões do terminal da Ilha do Governador. Ele já acumulava cerca de 30 registros de ocorrência pelo mesmo tipo de conduta. A prisão foi decretada pela Justiça após apuração conduzida pela Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (DAIRJ).
O caso que fundamentou a ordem de prisão aconteceu no dia 6 de setembro deste ano. Uma família de quatro pessoas vinda do Chile desembarcou no terminal e foi abordada pelo suspeito no saguão. Ele ofereceu transporte particular e encaminhou os visitantes até um táxi previamente combinado com comparsas.
As vítimas pretendiam ir até a região do Saara e da Rua Uruguaiana, no Centro do Rio. No entanto, o motorista mudou a rota sem explicação e deixou a família nas proximidades do Shopping Nova América, em Del Castilho. Pelo trajeto de 25 minutos, o grupo foi obrigado a pagar R$ 450 sob ameaça indireta e clima de intimidação.
Na mesma rota e horário, uma corrida realizada por carros de aplicativo custa entre R$ 14 e R$ 76, conforme dados levantados pelos investigadores. Em depoimento, os passageiros estrangeiros relataram momentos de pânico e medo real durante todo o caminho percorrido com os criminosos.
Como funciona a atuação dos jóqueis nos terminais
O termo “jóquei” é usado pela polícia para classificar pessoas que abordam passageiros de forma insistente nos saguões, burlando as filas regulares e os guichês oficiais credenciados. Esses indivíduos convencem o viajante a aceitar uma corrida clandestina ou o empurram para veículos com taxímetros previamente adulterados.
Segundo a investigação, o grupo envolvido nessa modalidade cobrava taxas inflacionadas, chegando a multiplicar os valores em até sete vezes do preço habitual. Na semana anterior, agentes já haviam identificado que parte dessa máfia mantinha ligação direta com criminosos do Comando Vermelho, repassando valores para explorar as vagas clandestinas nos arredores do Galeão.
A detenção ocorreu durante a segunda fase da Operação Desembarque Seguro, conduzida pelo Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE). O objetivo é desarticular o assédio contra passageiros que chegam à cidade em voos nacionais e internacionais.
O que fazer se você foi vítima de cobrança abusiva
Quem sofrer extorsão, cobrança fraudulenta ou coação em deslocamentos saindo do terminal aeroviário deve formalizar a denúncia imediatamente para permitir novas ações policiais.
- Registro presencial: Procure a Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (DAIRJ), localizada no mezanino do Terminal 2 do Galeão, aberta 24 horas.
- Delegacia online: Casos sem violência física imediata podem ser cadastrados no portal oficial da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
- Documentos necessários: Guarde comprovantes de pagamento, recibos de cartão de crédito, número da placa do carro, cor, modelo e o horário exato do embarque.
Como denunciar a ação de grupos clandestinos
Informações que ajudem as autoridades a localizar outros integrantes do esquema ilegal de transporte no aeroporto podem ser repassadas de maneira totalmente anônima.
O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone (21) 2253-1177, operando 24 horas por dia com sigilo garantido. Também é possível registrar denúncias pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia RJ ou pelo serviço do WhatsApp no número (21) 2253-1177.
A Polícia Militar também reforçou que passageiros em situação de risco imediato devem acionar o serviço de emergência pelo telefone 190 ou acionar os policiais do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur), que patrulham a área externa do terminal rodoviário e aeroviário do Rio de Janeiro.














