Dois homens foram presos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em assaltar motoristas de aplicativo. A dupla criava perfis falsos de mulheres nas plataformas para emboscar as vítimas e esvaziar contas bancárias.
Emboscadas com contas falsas miravam motoristas na Baixada
As prisões preventivas aconteceram na manhã de quarta-feira e foram coordenadas por agentes da 54ª Delegacia de Polícia (Belford Roxo). Os alvos dos mandados judiciais são Andre Luiz Conceição da Silva e Thales da Silva Costa. Conforme a apuração policial, eles montavam armadilhas digitais para render trabalhadores do volante sem levantar suspeitas antes da partida.
O método do grupo seguia um padrão repetido em diferentes chamadas. Os criminosos abriam contas em aplicativos de transporte usando fotos e nomes femininos. O condutor aceitava a viagem esperando uma passageira comum, mas ao encostar no endereço combinado, era surpreendido por homens armados que entravam no automóvel e anunciavam o assalto com violência.
Durante os trajetos, as vítimas tinham a liberdade totalmente restrita sob constante ameaça de morte. Além de levarem pertences como dinheiro em espécie e aparelhos celulares, os criminosos exigiam as senhas de desbloqueio dos telefones e o acesso direto aos aplicativos dos bancos. Nesse intervalo, realizavam transferências via Pix e até contratavam empréstimos relâmpago em nome dos trabalhadores.
Em uma das ocorrências detalhadas no inquérito, registrada no dia 13 de março deste ano, um motorista acabou rendido a caminho de Belford Roxo. Sob a mira de revólveres, o trabalhador perdeu o celular e viu os criminosos movimentarem um total de R$ 7,1 mil entre saques da conta corrente e empréstimos bancários contratados na hora. O aparelho levado foi revendido e a quantia roubada acabou dividida entre os integrantes do grupo criminoso.
Um terceiro suspeito, identificado pelos policiais civis como João Vitor de Souza, também participava ativamente dos crimes, de acordo com o inquérito policial. Contudo, ele morreu no decorrer das investigações. Segundo o boletim de ocorrência da delegacia, o caso dele foi classificado como suicídio após descobrir que a ex-companheira havia prestado depoimento na unidade policial.
O que já se sabe sobre o esquema criminoso
O trabalho de investigação da 54ª DP reuniu rastreamento de sinais de aparelhos celulares, quebras de dados fornecidos pelas empresas de tecnologia, relatórios de movimentações financeiras das contas que receberam os valores roubados e depoimentos formais das vítimas.
A investigação policial apontou ainda que o grupo agia com grande frequência na região metropolitana, operando em mais de uma plataforma de corridas para evitar bloqueios automáticos de segurança. A delegacia continua checando denúncias para descobrir se existem outros comparsas envolvidos na receptação dos aparelhos e no fornecimento de contas laranjas usadas para os repasses financeiros.
Como fica a rotina de quem trabalha na região
Para quem ganha a vida dirigindo pelas ruas de Belford Roxo e municípios vizinhos, a recomendação informal entre os profissionais tem sido aumentar a conferência visual do passageiro antes de destravar as portas. Casos em que o perfil cadastrado no sistema não bate com quem realmente se aproxima do veículo continuam gerando alerta máximo entre os trabalhadores.
Representantes da categoria orientam que, diante de qualquer divergência entre a foto do aplicativo e a pessoa que tenta embarcar na rua, o motorista não inicie a viagem e cancele o chamado imediatamente pela própria plataforma. O cancelamento preventivo por motivo de segurança ajuda a proteger a integridade física e o patrimônio do trabalhador.
O que fazer se você foi vítima desse grupo
Motoristas que caíram em emboscadas parecidas ou sofreram assaltos recentes com o mesmo método na Baixada Fluminense devem procurar imediatamente a delegacia para registrar a ocorrência ou fazer o reconhecimento formal dos suspeitos presos.
O registro presencial pode ser feito na sede da 54ª DP, que fica localizada na Rua Doutor José Pereira Lopes, sem número, no Centro de Belford Roxo. Para formalizar o boletim, o trabalhador precisa levar um documento oficial com foto, comprovante de residência e o extrato detalhado do banco mostrando o valor exato, horário e chave Pix de todas as transações ilegais realizadas pelos criminosos.
O boletim de ocorrência é indispensável para solicitar a contestação das dívidas e empréstimos fraudulentos junto às instituições financeiras. Sem o documento policial oficial, os bancos dificultam o cancelamento dos débitos contraídos sob ameaça de arma de fogo.
Como denunciar comparsas de forma anônima
A população pode colaborar com as apurações da Polícia Civil informando sobre a atuação de outros criminosos que realizam emboscadas contra motoristas no município. As informações são recebidas com garantia de sigilo absoluto.
O canal principal da população fluminense é o Disque Denúncia, que atende pelo telefone fixo e WhatsApp através do número (21) 2253-1177, funcionando durante as vinte e quatro horas do dia. O cidadão não precisa se identificar para passar detalhes que ajudem a polícia a prender receptadores de celulares ou identificar novas contas bancárias utilizadas pela quadrilha.














