Polícia prende agiota por extorsão e ameaças com armas em Nilópolis

A Polícia Civil prendeu um homem investigado por agiotagem e extorsão em Nilópolis, na Baixada Fluminense, nesta terça-feira. A ação teve apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e cumpriu mandados judiciais na região.

Prisão de suspeito por empréstimos ilegais na Baixada

Agentes da 57ª DP (Nilópolis), em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), prenderam William Muniz Silva. Segundo os policiais civis, ele operava um esquema de empréstimos com taxas de juros abusivas, sufocando financeiramente quem pegava dinheiro emprestado.

A investigação aponta que o acusado submetia as vítimas a constante coerção e violência psicológica. Em um dos episódios relatados no inquérito, ele mandou fotos de armas de fogo e munições para intimidar uma pessoa que já havia quitado a dívida integralmente, com valores acima do que pegou no início.

A ação partiu de uma denúncia da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial do Núcleo Nova Iguaçu. O Ministério Público acusou formalmente o homem pelos crimes de extorsão e usura pecuniária, o nome jurídico dado à agiotagem.

O pedido foi acolhido pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Nilópolis, que expediu o mandado de prisão preventiva. O tribunal entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes.

Além da detenção preventiva, o Poder Judiciário autorizou a quebra de sigilo bancário, ordens de busca e apreensão e o bloqueio de contas e bens ligados ao investigado. Policiais civis cumpriram diligências complementares em Queimados e Japeri para recolher documentos e provas do esquema.

A captura de William aconteceu em um imóvel situado em Nova Iguaçu, município vizinho. A Polícia Civil informou que o homem não ofereceu resistência no momento em que os policiais chegaram ao endereço. Em seguida, foi levado até a delegacia de Nilópolis para os trâmites da custódia e permanece à disposição da Justiça fluminense.

O que já se sabe sobre a apuração

O caso começou a ser investigado após denúncias de moradores que relataram juros impraticáveis e ameaças contínuas de agressão física na Baixada Fluminense. Segundo os agentes, o esquema funcionava cobrando valores que subiam sem controle a cada semana, impedindo as pessoas de quitarem o valor original do empréstimo.

A polícia reuniu mensagens com fotos de armamento pesado usadas para aterrorizar quem atrasasse as parcelas estipuladas arbitrariamente. O bloqueio das contas bancárias determinado pela Justiça tem como meta identificar outras contas utilizadas na lavagem desse dinheiro ilícito e verificar se outras pessoas participavam do recolhimento dos pagamentos nas ruas de Nilópolis e cidades vizinhas.

O que fazer se você foi vítima de extorsão

Moradores que contraíram empréstimos com agiotas e sofrem ameaças devem registrar a ocorrência formalmente. O boletim pode ser feito presencialmente em qualquer delegacia ou pelo site da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, no Dedic (Delegacia Eletrônica).

Ao procurar atendimento, é fundamental reunir o maior número possível de provas sem apagar conversas. Separe capturas de tela das mensagens com ameaças, registros de chamadas, comprovantes de depósitos ou transferências bancárias efetuadas e fotos que o cobrador tenha enviado.

Quem mora em Nilópolis pode comparecer diretamente à 57ª DP, localizada na Rua Pedro Álvares Cabral, no Centro, levando documento de identidade oficial com foto e o material comprobatório do crime.

Como denunciar casos de agiotagem

Quem souber de atividades de agiotagem com ameaças no seu bairro pode repassar as informações de forma totalmente anônima às forças de segurança. O Disque Denúncia do Rio de Janeiro recebe dados a qualquer hora pelo telefone e WhatsApp no número (21) 2253-1177.

O serviço funciona 24 horas por dia e não exige que a pessoa se identifique. As mensagens com relatos sobre locais de atuação, nomes de envolvidos e veículos usados em cobranças violentas são encaminhadas diretamente aos investigadores da Polícia Civil.

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