A Polícia Civil desmontou um ferro-velho clandestino na terça-feira (29), no bairro Rio do Ouro, em São Gonçalo. O responsável pelo espaço acabou preso em flagrante com carros desmanchados, motores adulterados e materiais sem comprovação de origem legal.
O flagrante foi realizado por policiais civis da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA-NSG). O comércio irregular operava sem licenças obrigatórias para a comercialização de autopeças e recebia materiais de procedência criminosa.
Fiscalização da DRFA flagra desmanche e crime ambiental
Durante a vistoria na oficina clandestina, os agentes localizaram diversos veículos parcialmente desmontados, carcaças cortadas e motores empilhados. Nenhum dos itens possuía documentação fiscal ou registro de entrada e saída, o que configura comércio ilegal de peças usadas.
Ao realizarem uma checagem técnica mais detalhada nos motores estocados, os policiais identificaram que um deles estava com a numeração identificadora suprimida. A raspagem desse número é uma tática comum utilizada pelo crime organizado para impedir o rastreamento de veículos furtados ou roubados na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense.
Além da atividade ilegal ligada ao comércio de peças, a perícia técnica da Polícia Civil encontrou graves infrações ambientais cometidas no terreno. O estabelecimento não possuía piso impermeável ou caixas separadoras, o que resultava no descarte de óleo lubrificante e fluídos diretamente no solo, gerando risco severo de contaminação do lençol freático local.
O dono do local foi conduzido para a delegacia e autuado em flagrante pelos crimes de receptação qualificada, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e crime ambiental contra o solo e a vegetação.
O que já se sabe sobre o caso
A investigação policial segue em andamento para mapear a rede de fornecedores que abastecia o desmanche em Rio do Ouro. A DRFA busca descobrir se o local funcionava como ponto final para desmanchar carros roubados nas rodovias da região, como a RJ-104 e a RJ-106, que cortam o município de São Gonçalo.
Os peritos agora trabalham no exame metalográfico das peças apreendidas para tentar recuperar as numerações originais dos motores e chassis. Com esses números restaurados, a Polícia Civil conseguirá identificar os verdadeiros proprietários dos automóveis e notificar as seguradoras responsáveis.
O homem preso permaneceu sob custódia da Justiça e passará por audiência de custódia na Central de Custódia de Benfica, na Zona Norte da capital, onde ficará à disposição do Poder Judiciário.
Quem responde por isso na região
O combate a desmanches clandestinos na região de São Gonçalo e Niterói é atribuição prioritária da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) em conjunto com a 75ª Delegacia de Polícia (Rio do Ouro), distrital responsável pela área geográfica onde o galpão funcionava.
A fiscalização de estabelecimentos que revendem autopeças também envolve normas do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ) e exigências do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Empresas desse segmento precisam ter cadastro ativo no sistema de desmanches credenciados do Detran para operar legalmente.
Como denunciar desmanches clandestinos
O cidadão que notar movimentação suspeita de caminhões guincho, barulho constante de cortes de lataria durante a noite ou forte cheiro de óleo e queima de materiais pode acionar as forças de segurança de forma anônima.
O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177. As ligações são gratuitas e o sigilo das informações é garantido por lei. Também é possível repassar informações pelo aplicativo oficial Disque Denúncia RJ ou pelo canal de WhatsApp no número (21) 2253-1177.
Em casos de emergência policial ou flagrante de crime em andamento, a Polícia Militar deve ser acionada diretamente pelo número 190. Moradores da região de São Gonçalo também podem enviar informações à central do 7º Batalhão de Polícia Militar pelo telefone (21) 2701-1145.
O que fazer se você foi vítima de roubo de veículo
Motoristas que tiverem o carro ou moto roubados devem registrar a ocorrência imediatamente para aumentar as chances de recuperação antes do corte das peças. O boletim de ocorrência pode ser feito pela internet, na Delegacia Online da Polícia Civil (dedic.pcerj.rj.gov.br), ou diretamente na delegacia mais próxima do fato.
Para efetuar o registro, é fundamental apresentar documento de identidade, dados exatos do veículo (placa, número do Renavam e cor) e, se houver, notas fiscais de bens que estavam no interior do automóvel. A rapidez na comunicação bloqueia o automóvel nos radares de monitoramento das vias expressas e aciona o alerta das delegacias especializadas.














