Polícia encontra área de lazer do tráfico na Serrinha, que rende R$ 700 mil por mês ao TCP

Uma operação da Polícia Civil revelou detalhes sobre a atuação do tráfico na Serrinha, na Zona Norte do Rio, incluindo a existência de uma área de lazer utilizada por integrantes da facção criminosa que domina a região. Segundo as investigações, o tráfico na Serrinha movimenta mais de R$ 700 mil por mês para o Terceiro Comando Puro (TCP).

A ação foi realizada por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP) e resultou na descoberta de um imóvel com estrutura voltada ao lazer dos criminosos. O espaço contava com piscina, churrasqueira e ambiente climatizado, além de ser protegido por uma porta de ferro reforçada.

Durante a operação, três suspeitos foram presos. Os policiais também apreenderam um carro e 11 motocicletas. A ofensiva faz parte da Operação Torniquete, voltada ao combate de roubos, furtos e receptação de cargas e veículos.

De acordo com dados do Disque Denúncia, o chefe do tráfico na comunidade é Wallace de Brito Trindade, conhecido como Lacoste ou Salomão. Ele é considerado foragido, e há uma recompensa de R$ 1 mil por informações que levem à sua captura.

Investigações anteriores já haviam identificado um imóvel ligado ao criminoso na região. No local, agentes encontraram uma estrutura de alto padrão, com piscina com cascata, área de churrasco equipada e bebidas importadas. Também foram localizados baldes personalizados com a frase “Wallace jogador caro”, indicando ostentação por parte do grupo.

Na operação mais recente, os policiais precisaram usar ferramentas para acessar o imóvel onde funcionava a área de lazer. No interior da casa, foi identificado um quarto com símbolos religiosos, como a Estrela de Davi e a figura de um leão, além de poucos móveis, incluindo uma cama de casal e ar-condicionado.

Segundo a Polícia Civil, esses símbolos vêm sendo utilizados por grupos criminosos e fazem referência a Álvaro Malaquias Santa Rosa, apontado como líder do tráfico no Complexo de Israel, também na Zona Norte do Rio.

Ele é associado ao controle de diversas comunidades, incluindo áreas como Cinco Bocas, Pica-Pau, Parada de Lucas, Vigário Geral e Cidade Alta. As autoridades investigam a possível influência desse grupo na região da Serrinha.

Desde o início das ações integradas de combate ao crime na área, em setembro de 2024, mais de 900 pessoas foram presas. Além disso, cargas e veículos recuperados já somam mais de R$ 52 milhões, segundo dados da Polícia Civil.

A Polícia segue com as investigações para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre o funcionamento financeiro e estrutural da organização criminosa que atua na Serrinha.

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