Polícia desmantela esquema de extração de cobre em Mesquita

Maquina de Extração de Metal

Um esquema clandestino de extração de cobre foi descoberto nesta terça-feira (7) em um galpão localizado em Mesquita, na Baixada Fluminense. A operação, realizada pela 53ª DP (Mesquita), resultou na prisão de três pessoas em flagrante. No local, foram encontrados mais de 100 quilos de cobre já reciclado e uma máquina industrial avaliada em R$ 60 mil, usada para processar os fios e cabos furtados.

Segundo a Polícia Civil, a quadrilha obtinha lucros mensais que giravam em torno de R$ 150 mil. O delegado Daniel Rosa explicou que a produção diária do grupo chegava a 120 quilos de cobre granulado. Considerando o valor médio do quilo do metal no mercado informal, cerca de R$ 40, o faturamento diário era de aproximadamente R$ 4.800.

Os investigadores apontam que o investimento na máquina especializada se mostrou vantajoso para os criminosos, substituindo métodos antigos, como a queima dos fios, que além de mais rudimentar, deixava rastros. O novo processo consistia em cortar, descascar e triturar os cabos com maior eficiência e discrição.

Durante a ação, foram presos Fernando Alves de Souza, André Lucas dos Santos e Geraldo Manoel da Silva. Eles alegaram à polícia que trabalhavam apenas sob ordens de um responsável pelo galpão, que não compareceu à delegacia após ser notificado. Todos foram autuados por receptação qualificada, mas não possuíam antecedentes criminais.

No galpão, os agentes encontraram diversos materiais em diferentes estágios de processamento. Nenhuma documentação fiscal ou licença de funcionamento foi apresentada, o que comprova a natureza clandestina da operação. O cobre granulado era armazenado em sacos, pronto para ser vendido.

Essa descoberta faz parte de uma investigação mais ampla da Polícia Civil sobre uma rede de furto e reciclagem de cobre, que já dura mais de seis meses. A apuração revelou a ligação entre empresários de ferros-velhos, traficantes do Comando Vermelho e técnicos recrutados para ações fraudulentas. Em operações anteriores, sete pessoas foram presas, incluindo a esposa do principal articulador do grupo, preso em 2024 com apoio da Polícia Civil do Paraná.

A investigação aponta que o jornalista Ricardo Lyra Ribeiro estaria envolvido na coordenação dos furtos e lavagem do dinheiro obtido com a revenda do material. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 200 milhões movimentados pela quadrilha.

De acordo com o delegado Jefferson Ferreira, da Delegacia de Roubos e Furtos, os criminosos utilizavam métodos sofisticados para enganar as autoridades. Com uso de uniformes, crachás falsificados e alvarás forjados, os suspeitos se passavam por técnicos de concessionárias de energia e acessavam subestações para retirar cabos. Os veículos usados nas ações causavam danos às instalações, e os “funcionários” recebiam cerca de R$ 200 por serviço executado.

Após os furtos, os cabos eram encaminhados a depósitos dentro de comunidades controladas pelo tráfico, como Fallet-Fogueteiro, entre Santa Teresa e o Rio Comprido. Nestes locais, o material era processado e o cobre, separado para revenda. Em uma dessas operações, foram apreendidas 200 toneladas de cobre em um galpão na Avenida Brasil, na altura de Campo Grande. A estimativa é de que o prejuízo à organização criminosa ultrapasse os R$ 10 milhões.

A Polícia Civil segue nas buscas pelo líder do esquema descoberto em Mesquita e investiga possíveis conexões com outras operações já em andamento. As autoridades reforçam que a extração e comercialização ilegal de cobre é um crime que afeta diretamente o fornecimento de energia e serviços públicos, além de alimentar redes criminosas estruturadas.

Limpatech