A Polícia Civil prendeu uma mulher condenada a mais de seis anos de cadeia por envolvimento com a milícia no bairro Parque São Vicente, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ela era a responsável por cobrar taxas ilegais de moradores em conjuntos residenciais da região.
Condenada extorquia moradores de condomínio para repassar a milicianos
Agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima da Baixada Fluminense (DCAV-BF) localizaram a foragida após trabalho de monitoramento. Contra ela, havia uma ordem de prisão definitiva expedida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Belford Roxo. A pena fixada pela Justiça é de seis anos e seis meses de reclusão em regime fechado pelo crime de constituição de milícia privada.
As investigações comprovaram que a mulher exercia papel financeiro direto no bando armado. O grupo dominava o Condomínio Ipê, onde impunha cobranças forçadas sobre serviços básicos e segurança clandestina. A criminosa abordava as famílias para recolher o dinheiro e repassar integralmente aos chefes da organização paramilitar que comanda os pontos ilegais do município.
Quem reside em áreas dominadas pelo crime organizado convive com a rotina de medo e ameaças de despejo arbitrário. O recolhimento de taxas em conjuntos habitacionais populares é uma das principais fontes de renda de milicianos na Baixada Fluminense. Sem opção, centenas de trabalhadores acabam retirando dinheiro do próprio sustento para evitar represálias violentas.
O que já se sabe sobre o caso
O processo judicial contra a mulher transitou em julgado, o que significa que não cabem mais recursos contra a decisão. A atuação da ré consistia em pressionar condôminos que atrasavam os valores estipulados pelo grupo paramilitar. Segundo o inquérito policial, as quantias recolhidas financiavam a compra de armas, munições e a manutenção de barricadas instaladas nas redondezas.
Após ser localizada no Parque São Vicente, a acusada não ofereceu resistência à abordagem policial. Os policiais civis cumpriram o mandado e a levaram até a sede da especializada para formalizar o registro da captura. Em seguida, ela seguiu para o sistema penitenciário de Benfica, na Zona Norte da capital, onde aguardará transferência para uma unidade prisional definitiva.
Como denunciar extorsões de milicianos
Moradores que sofrem ameaças ou cobranças abusivas podem acionar os canais de denúncia anônima do estado. O Disque Denúncia do Rio atende pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas todos os dias da semana. O serviço garante sigilo absoluto e não pede nenhum dado pessoal do informante.
Outro canal disponível é o aplicativo “Disque Denúncia RJ”, que permite o envio de fotos, comprovantes de depósitos e vídeos com segurança. Mensagens também podem ser direcionadas via WhatsApp pelo número oficial (21) 98849-6099. As denúncias auxiliam a montar mapas de atuação dos grupos paramilitares em bairros periféricos.
O que fazer se você foi vítima de extorsão
Quem teve bens tomados, sofreu agressões ou foi obrigado a pagar taxas ilegais pode registrar queixa formalmente. As vítimas devem comparecer à 54ª Delegacia de Polícia (Belford Roxo), localizada na Avenida Plínio Casado, sem número, no Centro, ou procurar a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO).
Para fazer o boletim de ocorrência presencial, é fundamental apresentar documento oficial com foto e o comprovante de residência. Caso a vítima tema represálias presenciais, o registro inicial pode ser iniciado pelo portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Ao formalizar o caso, a vítima pode solicitar medidas protetivas e inclusão em programas de proteção a testemunhas.
Como fica a segurança no condomínio
A prisão da mulher não encerra as apurações em torno do esquema criminoso no Parque São Vicente. A Polícia Civil mantém investigações abertas para identificar os comparsas que recebiam os malotes recolhidos no Condomínio Ipê. O objetivo da corporação é desarticular todo o braço financeiro e prender as lideranças armadas que atuam na localidade.
O policiamento preventivo nas imediações do condomínio continua sob responsabilidade do 39º Batalhão de Polícia Militar (Belford Roxo). Rondas rotineiras ocorrem nas vias de acesso para coibir represálias contra quem vive no local. A orientação das autoridades aos moradores é recusar novos pagamentos e repassar qualquer aproximação suspeita de imediato à polícia.















