Polícia Civil apreende R$ 2 milhões em remédios emagrecedores no Rio

Caneta Semaglutida

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro apreendeu uma carga avaliada em R$ 2 milhões de canetas emagrecedoras clandestinas vendidas sem autorização. O material era comercializado sem controle sanitário, trazendo sério perigo para quem comprava achando que tratava a saúde.

Investigação mira comércio ilegal de medicamentos controlados

Agentes interceptaram os produtos após investigações apontarem a distribuição em massa dessas substâncias de alto custo em pontos clandestinos da capital fluminense. Os medicamentos, muito procurados para perda rápida de peso, não possuíam registro sanitário, nota fiscal de origem nem garantia de armazenamento na temperatura exigida pelo fabricante original.

Segundo a corporação, o mercado paralelo de canetas injetáveis tem crescido impulsionado pela procura estética nas redes sociais. Os criminosos aproveitam a alta demanda e a falta dos produtos originais em drogarias credenciadas para revender itens falsificados, contrabandeados ou desviados de outros países vizinhos sem a refrigeração devida.

Medicamentos desse tipo precisam ficar guardados entre 2°C e 8°C antes do primeiro uso. Quando o transporte acontece em caixas de papelão comuns, sob o sol forte do Rio de Janeiro, o princípio ativo perde o efeito ou sofre transformações químicas perigosas, conforme alertam especialistas em vigilância sanitária.

O que já se sabe sobre a apreensão

A carga encontrada continha centenas de unidades prontas para envio aos compradores finais. Os agentes conseguiram mapear a rota do material antes que ele chegasse aos armários de revendedores autônomos e falsas clínicas de estética.

De acordo com o registro policial, os responsáveis responderão por crimes contra a saúde pública, previsto no artigo 273 do Código Penal Brasileiro, que pune a venda de remédios adulterados ou sem registro. A pena para essa prática pode variar de 10 a 15 anos de prisão, além de multa.

Todo o lote confiscado foi encaminhado para a perícia técnica no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), no Centro do Rio. Os peritos vão analisar o conteúdo químico dos frascos para identificar se a fórmula trazia substâncias tóxicas, água destilada ou doses excessivas que poderiam levar o consumidor ao coma ou à morte súbita.

Perigos reais para quem aplica produto sem procedência

O leitor precisa redobrar a atenção com ofertas milagrosas recebidas pelo celular. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que essas canetas emagrecedoras exigem receita médica com retenção de via e jamais podem ser compradas por aplicativos de mensagens, páginas de internet avulsas ou grupos de WhatsApp.

Usar remédio falsificado ou armazenado de forma errada pode gerar infecções graves no local da injeção, choque anafilático, crises de hipoglicemia severa e falência dos rins. Além disso, muitos desses frascos ilegais contêm componentes veterinários misturados sem nenhuma higiene básica durante o envasamento.

Se você adquiriu um medicamento fora de farmácias estabelecidas e apresentou sintomas como taquicardia, vômitos incontroláveis, tontura forte ou manchas roxas na pele, procure imediatamente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou o hospital municipal mais próximo de sua residência para atendimento médico emergencial.

O que fazer se você foi vítima do golpe

Quem comprou remédios clandestinos achando que eram originais deve suspender o uso imediatamente e não descartar a embalagem no lixo comum, pois o material serve como prova judicial contra a quadrilha.

Para formalizar a denúncia e ajudar na identificação dos golpistas, você pode procurar a Delegacia do Consumidor (Decon), localizada na Rua da Relação, número 42, no Centro do Rio de Janeiro, que atende de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Também é possível registrar a ocorrência através da Delegacia Eletrônica no portal oficial da corporação (delegaciadigital.rj.gov.br), anexando comprovantes de pagamento, conversas gravadas e fotos do produto irregular.

Guarde sempre comprovantes de transferências bancárias, chaves de Pix e os anúncios que serviram para fechar o negócio. Esses dados aceleram o congelamento das contas bancárias operadas pelo crime.

Como denunciar vendas clandestinas

A população fluminense pode contribuir diretamente com a localização de estoques clandestinos e revendedores ilegais sem precisar se identificar. A ajuda dos vizinhos é fundamental para combater depósitos improvisados escondidos em residências e galpões.

O Disque Denúncia do Rio atende 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, garantindo o anonimato de quem liga. É possível enviar relatos detalhados, endereços e nomes de suspeitos pelo WhatsApp desse mesmo canal, no número (21) 2253-1177, ou baixar o aplicativo do Disque Denúncia RJ na loja do smartphone.

Outro canal oficial é a Ouvidoria da Vigilância Sanitária do Estado do Rio de Janeiro, acessível pela internet ou pela Central de Atendimento ao Cidadão do Governo do Estado (telefone 199). Informar onde funcionam os pontos de distribuição ajuda a retirar venenos mascarados de circulação nas ruas da nossa cidade.

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