PF mira monopólio da internet do tráfico e bloqueia até R$ 558 milhões

PRF

Operação Backbone cumpre 23 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão contra esquema de extorsão e lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa que controla o fornecimento de internet em comunidades do Rio

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira, dia 19 de outubro, a Operação Backbone para desarticular um esquema criminoso que utiliza armas e ameaças para controlar o fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio. A ação tem como alvos integrantes de uma facção criminosa, empresários e operadores financeiros envolvidos na exploração ilegal do serviço e na lavagem de dinheiro. Até o momento, 19 prisões já foram efetuadas.

Ao todo, os policiais federais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte das ordens de prisão tem como alvos criminosos que já estão atrás das grades, inclusive em presídio federal.

A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas investigadas. Entre os negócios utilizados pelo grupo estão provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e empresas de fachada.

Segundo a PF, traficantes armados destroem cabos, incendeiam caixas de distribuição de operadoras concorrentes e impedem a realização de reparos nas redes. Com isso, moradores e comerciantes são obrigados a contratar os serviços dos provedores autorizados pela facção, no esquema conhecido como “internet do tráfico”.

Além de controlar os clientes, os criminosos cobram uma espécie de mensalidade dos provedores para permitir que as empresas funcionem nas comunidades dominadas.

Internet rende mais de 40% da arrecadação do tráfico

A dimensão do esquema foi revelada por registros contábeis da própria organização criminosa. De acordo com a PF, em apenas um mês, a cobrança relacionada ao fornecimento de internet representou mais de 40% de toda a arrecadação da facção no Complexo da Penha.

O negócio se tornou uma das principais fontes de financiamento do crime organizado e também alimenta a disputa entre facções pelo domínio de comunidades. Cada território conquistado representa novos clientes obrigados a pagar pelo serviço e mais dinheiro para os criminosos.

Chefe da facção controla negócios de dentro de presídio federal

As investigações também identificaram que um dos líderes históricos da organização criminosa, preso há quase 30 anos e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continua comandando atividades empresariais exploradas nos territórios dominados pelo tráfico.

Segundo a PF, ele atua em conjunto com familiares e outras lideranças da facção. O dinheiro arrecadado chega à família por meio de empresas, operadores financeiros e contas bancárias utilizadas para movimentar os recursos ilegais.

Para esconder a origem criminosa dos valores, o grupo investia em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão comprados com dinheiro em espécie e criptoativos.

Empresas poderão perder autorização para funcionar

Além do bloqueio milionário, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para adotar providências destinadas à cassação das autorizações e à interrupção dos serviços prestados pelas empresas envolvidas. Também deverão ser tomadas medidas para evitar que os moradores das comunidades fiquem sem acesso à internet.

Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, relacionado à utilização de violência e ameaças para impor o controle de territórios e da população.

Eles também poderão responder por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, exploração clandestina de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635.

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