Um caso em que PMs viram réus por invasão na Maré ganhou novos desdobramentos após a Justiça Militar do Rio de Janeiro aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público. A decisão envolve dez policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
De acordo com a acusação, os agentes teriam invadido residências de forma ilegal na comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital. Os episódios teriam ocorrido durante uma operação conjunta realizada em janeiro de 2025.
Segundo o Ministério Público, os policiais entraram nos imóveis sem autorização judicial e sem a presença dos moradores. Em alguns casos, foi apontado o uso de chaves do tipo “micha” para abrir portas, o que reforçou a suspeita de violação de domicílio qualificada.
As investigações também identificaram comportamentos considerados abusivos durante as ações. Há relatos de agentes utilizando espaços internos das residências, como sofás e banheiros, além de realizarem buscas sem respaldo legal ou situação de flagrante.
A denúncia se baseia em imagens captadas pelas câmeras corporais utilizadas pelos próprios policiais durante a operação. Os registros mostram, segundo o Ministério Público, desde o momento das entradas até a permanência irregular dos agentes dentro dos imóveis.
A decisão judicial considerou que há indícios suficientes de autoria e materialidade para a abertura do processo. Com isso, os policiais passam à condição de réus e têm prazo de dez dias para apresentar defesa por escrito.
Em nota, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que a Corregedoria-Geral instaurou procedimento para apurar os fatos assim que tomou conhecimento das denúncias. Após a conclusão das investigações internas, o material foi encaminhado à Auditoria de Justiça Militar.
“Ao agir dessa forma, o comando da corporação reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição do Ministério Público para colaborar integralmente com as investigações em andamento. Ressalta, ainda, que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus integrantes, adotando medidas rigorosas sempre que os fatos são comprovados”, diz o comunicado oficial.
O caso segue em tramitação na Justiça Militar e deve avançar com a análise das provas e manifestações das defesas dos envolvidos.














