PM mata jovem de 17 anos com tiros no rosto em blitz na Anchieta

A adolescente Ana Beatriz Correia de Souza, de 17 anos, morreu baleada no rosto e no peito por policiais militares durante abordagem na noite de quarta-feira (4/11), na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

A versão dos policiais sobre a abordagem na rodovia

De acordo com o registro feito pelos próprios policiais militares na Polícia Civil, a equipe da Força Tática do 6º Batalhão da PM avistou a jovem pilotando uma motocicleta na altura do quilômetro 25 da Rodovia Anchieta. Os agentes afirmaram que desconfiaram da conduta da jovem porque ela estaria fazendo movimentos contínuos com as mãos na região da cintura.

Os policiais trafegavam pela pista marginal da rodovia, enquanto a adolescente seguia pela faixa central. A equipe acelerou a viatura até alcançar uma saída da pista, onde realizou a sinalização para que a condutora encostasse o veículo.

Segundo o relato oficial dos PMs, a jovem atendeu à ordem de parada e declarou aos agentes que não carregava nenhum item ilícito. No entanto, os militares afirmaram em depoimento que notaram um volume por baixo da roupa dela e ordenaram que ela levantasse a blusa para revista visual imediata.

Nesse instante, ainda segundo a versão dos policiais, a garota usou a mão esquerda para erguer a vestimenta e, com a mão direita, teria sacado um revólver calibre 22. Os agentes disseram que ela apontou o revólver diretamente na direção do sargento Danillo Luís Lopes.

O sargento relatou em depoimento que estava a cerca de dois metros da abordada no momento da ação. Diante da ameaça descrita por ele, o sargento efetuou três disparos contra a adolescente. Um soldado que também integrava a guarnição, identificado como Carlos Antônio Ramos Dias, atirou na direção da jovem, mas a quantidade de tiros disparados por ele não constou de forma detalhada no primeiro registro.

O que já se sabe sobre a apuração

O caso está sob investigação da Polícia Civil, que apreendeu as armas dos policiais envolvidos e o revólver calibre 22 atribuído à jovem para a realização de exames balísticos e papiloscópicos. O Instituto de Criminalística realizou a perícia no local exato do fato, no trecho do km 25 da rodovia, para confrontar a distância dos disparos e a dinâmica relatada pela guarnição militar.

Imagens de câmeras de segurança da concessionária responsável pela administração da Rodovia Anchieta e eventuais câmeras corporais operacionais dos uniformes dos policiais devem ser solicitadas pela investigação para esclarecer se houve ou não tentativa de disparo por parte da vítima antes da reação dos militares.

Quem responde por isso

A apuração criminal dos fatos cabe ao distrito policial da área de São Bernardo do Campo, que instaurou inquérito para apurar a conduta dos agentes públicos e as circunstâncias da morte decorrente de intervenção policial. O 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano também deve abrir um Inquérito Policial Militar interno pela Corregedoria da corporação para verificar o cumprimento estrito dos procedimentos operacionais padrão da instituição.

Até o momento, a corporação militar não informou formalmente se os dois agentes envolvidos na ocorrência foram afastados das funções de patrulhamento de rua durante o andamento dos trabalhos de perícia e averiguação das circunstâncias do tiroteio.

Como denunciar abusos em abordagens

Familiares e testemunhas que presenciaram a ocorrência ou que tenham vídeos e registros gravados em aparelhos de celular podem procurar o Ministério Público estadual ou a Ouvidoria das Polícias para protocolar representações de forma formal ou sigilosa.

O atendimento da Ouvidoria da Polícia recebe manifestações da população pelo telefone oficial gratuito 0800-017-7070 de segunda a sexta-feira, em horário comercial, além de possibilitar registros de protocolos pela internet. Informações sobre eventuais irregularidades também podem ser encaminhadas anonimamente pelo Disque Denúncia pelo número 181, que opera em plantão ininterrupto 24 horas por dia.

O que fazer se você presenciar uma ação policial com disparos

Em ocorrências com tiros em vias públicas ou rodovias, motoristas e pedestres devem buscar abrigo imediato atrás de barreiras rígidas de proteção ou estruturas de concreto, evitando permanecer em linha direta de visada. Não se aproxime do isolamento policial feito após a interrupção da via.

Se você gravou imagens ou fotos à distância sem interferir na segurança, conserve o arquivo original com data e metadados intactos para apresentação exclusiva perante as autoridades policiais ou promotores de Justiça responsáveis pela apuração.

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