Um ferro-velho que funcionava na Mangueira, na Zona Norte do Rio, foi flagrado com grande quantidade de fios da Light e materiais da Rioluz na manhã desta sexta-feira. A operação especial combate o comércio clandestino que deixa bairros inteiros às escuras.
Fiscalização fecha o cerco contra receptação de fios na Zona Norte
Agentes do Núcleo Integrado de Combate ao Furto e Receptação de Cabos da Prefeitura do Rio flagraram a estocagem ilegal logo no início da manhã. Durante a vistoria no galpão, técnicos identificaram rolos de cabos de energia da concessionária Light e diversas peças de iluminação pública da Rioluz, incluindo tampas de bueiro de ferro fundido.
A força-tarefa mobilizou equipes da Secretaria Municipal de Ordem Pública, da Subprefeitura da Grande Tijuca e policiais civis e militares. Funcionários das concessionárias Águas do Rio e Light estiveram presentes no local para fazer a checagem imediata das peças recolhidas, confirmando o número de série e o padrão do material de uso exclusivo das empresas.
Além do crime de receptação de patrimônio público e privado, os fiscais autuaram o estabelecimento por problemas sanitários graves. O Instituto Municipal de Vigilância Sanitária encontrou acúmulo de água parada e sujeira acumulada, gerando risco direto para a proliferação do mosquito da dengue no bairro.
O que já se sabe sobre a apreensão
Os técnicos das concessionárias confirmaram que todo o material recolhido tinha identificação visual e técnica própria das redes de energia e iluminação do Rio de Janeiro. Nenhum desses itens pode ser vendido legalmente em ferros-velhos ou comprado por pessoas físicas.
Todo o volume de cobre e ferro apreendido foi colocado em caminhões da Companhia Municipal de Limpeza Urbana para pesagem oficial e transporte seguro. O responsável pelo imóvel foi conduzido para a delegacia da região para prestar depoimento sobre a origem exata do estoque clandestino.
A Polícia Civil instaurou inquérito para rastrear quem fez a entrega desses fios na Mangueira. A apuração inicial aponta que os cabos foram retirados de postes e galerias subterrâneas de bairros vizinhos, como Maracanã, Tijuca e São Cristóvão, em ações ocorridas durante as últimas madrugadas.
Como o crime afeta o dia a dia do morador
O furto constante de fiação não é apenas uma perda financeira para as empresas, mas destrói o cotidiano de quem precisa sair cedo para trabalhar. Quando criminosos arrancam os cabos da rede aérea ou subterrânea, ruas inteiras ficam sem luz e o trânsito da cidade sofre com apagões em semáforos vitais.
Moradores da Grande Tijuca sofrem com quedas repentinas de energia que queimam geladeiras, aparelhos de televisão e roteadores de internet. Além disso, hospitais, clínicas da família e postos de saúde da região enfrentam instabilidade no fornecimento, precisando recorrer a geradores a diesel para manter vacinas refrigeradas.
A escuridão provocada pelo sumiço das luminárias da Rioluz cria pontos cegos nas calçadas, aumentando o medo de assaltos nas passarelas de trem e nas paradas de ônibus do entorno da Mangueira. A Companhia de Engenharia de Tráfego precisa deslocar operadores com frequência para orientar cruzamentos críticos onde os sinais foram desligados pelos ladrões.
Quem responde por isso e como funciona a apuração
A investigação criminal fica sob responsabilidade da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que atua para responsabilizar quem compra o material roubado. A receptação qualificada prevê penas duras de prisão para donos de depósitos que financiam a destruição da infraestrutura urbana da cidade.
No âmbito municipal, a Secretaria Municipal de Ordem Pública aplica multas pesadas e realiza o cancelamento definitivo do alvará de funcionamento de qualquer estabelecimento flagrado com cobre de concessionárias. Caso o ferro-velho insista em reabrir as portas de forma irregular, o imóvel pode sofrer emparedamento e ter a entrada lacrada com blocos de concreto.
A Subprefeitura da Grande Tijuca declarou que o cronograma de operações vai continuar ao longo das próximas semanas em toda a região. Novas vistorias surpresa já estão programadas para checar depósitos nos bairros de Vila Isabel, Grajaú, Andaraí e Maracanã.
Como denunciar depósitos irregulares
A população tem papel fundamental para interromper essa cadeia ilegal, informando movimentações estranhas de caminhões e queima de fios em terrenos baldios. As denúncias são totalmente anônimas e ajudam as equipes a montar as operações de fiscalização.
- Disque Denúncia do Rio: Ligue para o número (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia, com sigilo absoluto garantido.
- WhatsApp do Disque Denúncia: Envie mensagens, fotos ou vídeos diretamente para o telefone (21) 2253-1177.
- Central da Prefeitura do Rio: Ligue 1746 ou acesse o aplicativo 1746 para relatar ferros-velhos irregulares, focos de lixo ou falta de iluminação no seu bairro.
- Polícia Militar: Em caso de flagrante de pessoas cortando fios em postes ou arrancando grades da rua, ligue imediatamente para o 190.














