PM cobra propina de traficante no Rio de Janeiro

Phillip Gregório da Silva

Um relatório da Polícia Federal, revelado pelo portal g1, mostra que PM cobra propina de traficante no Rio de Janeiro em mensagens trocadas com Phillip Gregório da Silva, o Professor, chefe do tráfico no Complexo do Alemão e integrante do Comando Vermelho. As conversas fazem parte da investigação Dakovo, que apura a compra de armas por facções criminosas no exterior.

Segundo o g1, os diálogos mostram policiais militares insatisfeitos com o valor pago semanalmente pela quadrilha, ameaçando retomar operações na comunidade caso não houvesse aumento da propina. As mensagens foram interceptadas em fevereiro de 2022.

“Você sabe quanto você manda pra gente lá pelo Engenho? A gente não tá acostumado com esse valor baixo, mano. Você vende pra caramba, favela grande, e só manda isso aí? R$ 1.200? É melhor ficar indo aí do que pegar esse valor”, reclamou um dos PMs.

A resposta do traficante veio com indignação: “Mano, tá me ameaçando? Tá falando que vai começar a entrar na favela? Aqui é papo de homem. Valor é R$ 1.200. Se quiser aumentar o seu, tenho que aumentar de todos agora”.

Ainda de acordo com o g1, em outro trecho das investigações, o traficante atende a um pedido de um policial que diz estar ligando a pedido de uma coronel da PM. O pedido era para devolver um carro roubado. O veículo foi restituído, com a chave deixada dentro, em um posto desativado na região de Inhaúma.

“Mandei devolver tudo, pra não roubar nada. Tá tudo dentro do carro”, respondeu Professor. O policial agradece: “Esse carro é de um político aí… Já mandou agradecer”.

O relatório também aponta que Professor teve acesso a um Boletim Interno da PM com nomes e registros de policiais recém-transferidos para UPPs, o que preocupou os investigadores federais.

Foragido desde 2018, o traficante havia sido preso em 2015 pela PF, mas deixou o sistema prisional após receber um benefício para visitar a família — e nunca retornou.

A Polícia Federal deve encaminhar os dados ao Ministério Público para análise e eventual responsabilização dos agentes envolvidos. A PM ainda não se pronunciou sobre o caso até o momento.

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