A Polícia Federal realizou uma operação na manhã desta quinta-feira (29) em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O alvo principal é um homem de 41 anos, investigado por administrar um grupo de aplicativo de mensagens com mais de 5 mil participantes voltado para a venda e troca de arquivos com cenas de violência e abuso sexual contra crianças.
Operação Guardiões V fecha cerco contra exploração sexual na Baixada
A ação da corporação, batizada de Operação Guardiões V, cumpriu mandados judiciais de busca e apreensão na residência do investigado no município da Baixada Fluminense. Durante os trabalhos dentro do imóvel, os agentes federais apreenderam um aparelho de telefone celular, a unidade central de processamento (CPU) de um computador de mesa e um disco rígido externo (HD).
Todo o equipamento recolhido pelos policiais foi lacrado e encaminhado para os peritos do Instituto Nacional de Criminalística. O objetivo da perícia técnica é varrer as memórias digitais, recuperar arquivos que possam ter sido apagados e extrair registros de conversas, transferências bancárias ou listas de contatos mantidos pelo homem.
As investigações começaram a centenas de quilômetros do Rio de Janeiro. A apuração inicial partiu da Delegacia de Polícia Federal em Jataí, no estado de Goiás, que recebeu uma denúncia anônima relatando o comércio ativo de vídeos criminosos em um aplicativo. Na ocasião, a pista inicial apontava para conexões em Rio Verde, também em território goiano.
Ao rastrearem o fluxo dos dados e a criação dos canais, os policiais federais descobriram uma rede que somava exatamente 5.145 membros. O grupo contava inclusive com números internacionais, indicando participantes de outros países. No centro de todo o esquema de gerenciamento e autorização de postagens estava a linha utilizada pelo morador de Nova Iguaçu.
O que já se sabe sobre o caso
De acordo com as informações confirmadas pela Polícia Federal, o espaço virtual servia tanto para a venda direta de pacotes de fotos e filmagens ilícitas quanto para a troca de arquivos proibidos entre os próprios membros cadastrados. O conteúdo continha imagens de crianças e adolescentes submetidos a abusos graves.
O homem de 41 anos não teve a identidade divulgada pelos agentes em cumprimento à legislação federal. Até o momento, as medidas executadas foram focadas na busca e apreensão para barrar o compartilhamento do material e assegurar as provas digitais. A investigação permanece aberta para identificar eventuais compradores e outros moderadores do fórum criminoso.
Com os aparelhos apreendidos, os peritos trabalham agora para cruzar o histórico de transações e determinar se o suspeito lucrava diretamente com as assinaturas para entrada na comunidade. O resultado desse laudo será anexado ao inquérito policial e enviado ao Ministério Público Federal.
Quem responde pela investigação
O caso está sendo conduzido pela Delegacia de Polícia Federal em Jataí em parceria com equipes da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, que deram o suporte operacional nas ruas de Nova Iguaçu para cumprir as ordens da Justiça.
O investigado pode responder perante a Justiça Federal pelos crimes de armazenamento, compartilhamento e comercialização de registros com exploração e violência sexual infantojuvenil, cujas penas somadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente ultrapassam anos de prisão em regime fechado.
Como denunciar casos de violência infantil
A ajuda da população é indispensável para retirar esse tipo de conteúdo do ar e proteger crianças e jovens de redes criminosas que atuam na internet. Se você receber mensagens com imagens suspeitas ou identificar canais que vendam esse tipo de material, nunca compartilhe ou salve o conteúdo.
Existem canais diretos, gratuitos e que garantem o anonimato absoluto do denunciante:
- Disque 100 (Disque Direitos Humanos): Central nacional do governo federal para combate a violações contra crianças. O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, gratuito por telefone ou pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil.
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: O contato pode ser feito pelo telefone (21) 2253-1177, que também atende ocorrências e repassa pistas para ações na Baixada Fluminense com sigilo preservado.
- Polícia Federal: Informações sobre crimes virtuais federais podem ser enviadas diretamente pelo site oficial da corporação (pf.gov.br) ou comunicadas na sede da PF mais próxima.
- Conselhos Tutelares: Em casos locais de maus-tratos ou suspeita de abuso dentro da comunidade, a recomendação é procurar o Conselho Tutelar de Nova Iguaçu ou do seu município de residência.















