A Polícia Federal investiga um esquema de corrupção eleitoral envolvendo vereadores eleitos em Cabo Frio e São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. A operação foi deflagrada nesta terça-feira (20) e cumpriu sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo as Câmaras de Vereadores das duas cidades.
De acordo com reportagem de Quintino Gomes Freire do Portal Diário do Rio, publicada nesta manhã, a investigação teve início durante o primeiro turno das eleições municipais de 2024, quando cabos eleitorais de um candidato a vereador foram flagrados com material de campanha e dinheiro em espécie, principalmente cédulas de R$ 100. A suspeita era de compra de votos.
Com o avanço das apurações, a PF identificou troca de mensagens que confirmam o uso indevido de estrutura pública como moeda de troca por votos. Um dos casos mais graves ocorreu em Cabo Frio, onde um enfermeiro de um hospital municipal agendava consultas médicas para eleitores, em troca de apoio a um candidato. O político beneficiado foi eleito.
Em São Pedro da Aldeia, outro episódio chamou atenção das autoridades. Um eleitor foi conduzido à sede da Polícia Federal após ser flagrado filmando a urna eletrônica no momento do voto. A ação, que viola a legislação eleitoral, foi encomendada por um cabo eleitoral que prometera o pagamento de R$ 100 pela gravação, como prova do voto.
As mensagens interceptadas pela polícia indicam que o pagamento seria feito no comitê de campanha do vereador eleito, situado no bairro Mossoró. Segundo os investigadores, o esquema foi bem estruturado, com indícios de participação de diferentes pessoas, inclusive servidores públicos.
As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Eleitoral e têm como objetivo recolher provas que possam aprofundar o entendimento sobre o alcance da organização. A Polícia Federal segue analisando os materiais apreendidos e não descarta novas prisões ou o indiciamento de outros agentes públicos.
Os investigados poderão responder por corrupção eleitoral, abuso de poder político e econômico, e, caso se comprove o envolvimento de servidores no uso da máquina pública, também por improbidade administrativa e outras infrações previstas em lei.
A operação reacende o debate sobre práticas irregulares durante o período eleitoral e a fragilidade de mecanismos de fiscalização em alguns municípios. Especialistas ouvidos pela imprensa alertam para a importância do combate contínuo à corrupção, sobretudo em ambientes políticos locais, onde o controle social costuma ser mais limitado.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro acompanha o caso e poderá, a depender das provas apresentadas, abrir processos de cassação de mandato ou inelegibilidade. A expectativa é que os desdobramentos da operação tenham impacto direto na composição das câmaras municipais investigadas.
A Polícia Federal reforça que denúncias anônimas sobre crimes eleitorais podem ser feitas a qualquer momento por meio de canais oficiais, como o aplicativo Pardal, do TSE, ou diretamente nas unidades da corporação.














