A Polícia Federal apreendeu quatro fuzis de calibre 7,62 mm em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, nesta segunda-feira (28). O armamento de guerra estava em uma transportadora que prestava serviços para criminosos investigados por fraudes em registros.
Esquema usava brechas no registro de armas para desviar fuzis no Rio
A ação fez parte de um desdobramento da Operação Polaridade, força-tarefa criada para desmontar um esquema de falsificação de documentos na compra de armas de fogo. Segundo a Polícia Federal, o grupo fraudava processos administrativos destinados a pessoas registradas como CACs, sigla para Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores.
As irregularidades aconteciam dentro do sistema Sinarm-CAC, banco de dados oficial que controla a circulação desse tipo de equipamento no país. O armamento ficava com a transportadora para tentar despistar a fiscalização nas estradas fluminenses e facilitar a entrega para compradores ilegais.
Com essa apreensão recente no município da Região Metropolitana, o balanço de apreensões da corporação subiu. A Polícia Federal confirmou que o total retido chega a nove fuzis, cinco pistolas de calibres variados e dezenas de carregadores municiados desde o início dos trabalhos investigativos.
A primeira etapa da Operação Polaridade aconteceu em 4 de setembro. Naquela ocasião, agentes federais foram às ruas para cumprir 20 mandados de prisão preventiva e outros 26 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As ordens judiciais miraram alvos em várias cidades do estado do Rio de Janeiro e também no município de Vila Velha, no Espírito Santo.
O que já se sabe sobre o caso
As apurações apontam que a transportadora localizada em Niterói não atuava de forma ingênua na rota das cargas. Os policiais federais descobriram que a firma de logística dava suporte direto aos intermediários e membros da quadrilha especializada em desviar o arsenal.
O material recolhido pelos agentes nesta nova fase segue agora para perícia técnica no Instituto de Criminalística da Polícia Federal. Os peritos vão checar a numeração das peças e rastrear a fábrica de origem para entender por quais fronteiras as armas entraram no território fluminense.
O inquérito policial permanece aberto para apurar outros nomes envolvidos no esquema criminoso. De acordo com a PF, os investigadores tentam identificar servidores públicos que facilitavam a liberação das licenças e receptadores finais dessas armas em comunidades do Grande Rio.
Como denunciar depósitos e transporte clandestino de armas
O transporte ilegal de fuzis e o uso de empresas de fachada colocam em risco motoristas, trabalhadores da Baixada Fluminense e moradores vizinhos a galpões de carga. Se você notar movimentação suspeita de caixas pesadas, escoltas armadas sem identificação ou depósitos duvidosos na sua rua, repasse as informações para as autoridades sem correr perigo:
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: telefone 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia e garantia total de sigilo.
- WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177, canal para envio de fotos, mensagens e localização exata.
- Superintendência da Polícia Federal no Rio: denúncias podem ser protocoladas presencialmente na Praça Mauá, na Zona Portuária da capital, ou enviadas pela internet no portal Fala.BR.
- Polícia Militar: disque 190 caso presencie homens armados ou transbordo de cargas suspeitas em flagrante.
Quem responde por isso
A condução direta do caso cabe à Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A corporação informou que os investigados podem responder pelos crimes de tráfico ilegal de armas de fogo, uso de documento falso, falsidade ideológica e organização criminosa com atuação interestadual.
A segurança pública em Niterói conta também com o trabalho do 12º Batalhão de Polícia Militar (Niterói) nas ruas e com a 76ª Delegacia de Polícia (Niterói), que atua no registro de ocorrências civis locais. As forças de segurança estaduais monitoram as entradas da cidade pela Ponte Rio-Niterói e acessos da Rodovia BR-101 para impedir que novas cargas perigosas passem pelo município.















