Peixão é indiciado por ataques a vias expressas em 2024

Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão

A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, por envolvimento em uma série de ataques armados ocorridos em outubro de 2024. Os disparos atingiram a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Rodovia Washington Luiz durante operações policiais em comunidades da Zona Norte, resultando na morte de três pessoas inocentes.

Além de Peixão, o inquérito também responsabiliza outros quatro traficantes pelos crimes: Wilton Arjona da Silva (vulgo Porquinho ou Zé do Porco), Rodrigo Ribeiro da Silva (conhecido como Geremias, Mia ou Rei do Fumo), Moisés Severino da Silva (apelidado de Dino) e Leiton Medeiros da Silva (vulgo Artilheiro). Todos fazem parte do grupo criminoso que atua no Complexo de Israel, área sob controle do tráfico de drogas.

Segundo o relatório final elaborado pelas Delegacias de Homicídio da Capital e da Baixada Fluminense, os acusados responderão pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa armada e associação para o tráfico de drogas. A Polícia Civil pediu a decretação da prisão preventiva dos cinco indiciados, alegando que a medida é necessária para a preservação da ordem pública e segurança das testemunhas.

O documento entregue ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) destaca que os investigados exercem forte influência nas comunidades e podem intimidar moradores que venham a depor contra eles. O MPRJ analisará agora os elementos reunidos para decidir se oferece denúncia ao Tribunal de Justiça.

Os ataques ocorreram durante confrontos registrados em 24 de outubro do ano passado, nas comunidades da Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau. A ação dos criminosos gerou pânico em motoristas que transitavam pelas vias expressas atingidas e resultou em mortes trágicas.

As vítimas fatais foram Paulo Roberto de Souza, de 60 anos, Geneilson Eustaque Ribeiro, de 49, e Renato Oliveira, de 48. Paulo Roberto chegou ao Hospital Municipal Dr. Moacyr do Carmo, em Duque de Caxias, com uma perfuração na cabeça e não resistiu aos ferimentos.

Geneilson, também atingido na cabeça, foi inicialmente atendido na mesma unidade e transferido para o Hospital Adão Pereira Nunes. Mesmo após uma cirurgia de craniectomia descompressiva, o estado clínico não melhorou, e ele morreu em decorrência da gravidade do ferimento.

Já Renato Oliveira foi levado ao Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, também com um tiro na cabeça. Apesar de passar por cirurgia, ele não sobreviveu.

Peixão, apontado como chefe do tráfico no Complexo de Israel, já era investigado por outras ações criminosas. Seu nome consta em diferentes inquéritos relacionados ao domínio armado de territórios, tráfico de entorpecentes e ataques coordenados contra forças de segurança.

A atuação do grupo ao qual pertence é considerada estratégica, principalmente pelo uso de armamento pesado e pela tática de espalhar o terror em pontos estratégicos da cidade. Os ataques às vias expressas, segundo a polícia, visavam desestabilizar as operações e impedir o avanço da Polícia Militar dentro das comunidades controladas por facções.

Agora, com o inquérito concluído, o caso será analisado pelo Ministério Público, que poderá transformar os indiciados em réus. A expectativa é que o processo avance rapidamente, dada a gravidade dos fatos e a comoção causada pelas mortes de civis em situação completamente alheia ao conflito armado.

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