A PEC da Segurança Pública perdeu espaço na lista de prioridades do governo Lula e deve avançar lentamente no Senado ao longo de 2026. A avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que a proposta enfrenta forte resistência política e pode gerar desgaste desnecessário em pleno período eleitoral.
O texto havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em março, mas segue parado no Senado. Até o momento, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ainda não encaminhou a proposta para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa considerada essencial para o início da tramitação.
A proposta é tratada como uma das principais iniciativas do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para reorganizar o sistema nacional de segurança pública. Entre os objetivos do projeto estão ampliar a integração entre União, estados e municípios e redefinir mecanismos de atuação conjunta na área da segurança.
Durante a tramitação na Câmara, governadores ligados à oposição fizeram críticas ao texto. O principal argumento apresentado foi o receio de interferência federal nas competências estaduais relacionadas à segurança pública.
Nos bastidores do governo, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que insistir na aprovação da proposta neste momento poderia consumir capital político sem garantia de resultado prático. A leitura atual é de que o governo já teria feito o esforço necessário para impulsionar a PEC e agora pretende concentrar energia em temas considerados mais viáveis.
Entre as pautas que ganharam força dentro do Planalto está o projeto voltado para reduzir os impactos dos preços dos combustíveis. A proposta tem relatoria da deputada Marussa Boldrin e é vista como uma medida de maior alcance popular.
Outro tema que passou a receber atenção é a PEC do fim da escala 6×1, que conta com apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta. O assunto ganhou repercussão nas últimas semanas e vem sendo tratado como uma pauta de forte impacto social.
Além disso, o governo também pretende priorizar o marco regulatório da exploração de minerais críticos e terras raras. O tema voltou ao centro das discussões após negociações entre Brasil e Estados Unidos durante encontro recente entre Lula e Donald Trump.
A expectativa do governo é de que essas pautas encontrem menos resistência no Congresso e tenham maior potencial político ao longo de 2026, especialmente em um cenário marcado pelas eleições nacionais.














